01 de outubro de 2020
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Simone pode ter a preferência do Planalto

Independentemente do fôlego do pré-candidato a governador de seu partido, Nelson Trad Filho, a vice-governadora e pré-candidata ao Senado Simone Tebet já tem um canal aberto para transitar rumo à preferência do Planalto. A conta que começa a ser feita pelos especialistas desde agora prevê uma acirrada disputa pelas cadeiras da Câmara dos Deputados e do Senado. E se a presidenta Dilma Roussef se reeleger, sua primeira providência será, inevitavelmente, garantir a chamada governabilidade.

Pelos valores e métricas políticas vigentes, só há governabilidade no Brasil contemporâneo se o gestor de plantão tiver maioria no Legislativo. No caso de Dilma Roussef, o primeiro mandato só se alicerçou graças ao arco de alianças montado antes da eleição de 2010 e, especialmente, graças ao volume de parlamentares do PMDB, partido do vice-presidente Michel Temer.

As contas em questão desenham cenários interrelacionados – um em cada tempo - da eleição que se avizinha. Num, o primeiro, na pré-eleição, os estrategistas (e matemáticos) da sucessão presidencial desconsideram o peso de estados de pouca representação eleitoral, caso de Mato Groso do Sul. Noutro cenário, e em função do anterior, entrarão em cena os alquimistas do pós-eleição para tratar da governabilidade de quem venceu. E a estes será indispensável colher o maior número possível de frutos – ou cadeiras legislativas – do processo eleitoral.

Elementar: menos para confirmar a tendência de sua vitória e mais para dar a ela o suporte imprescindível da governabilidade, Dilma Roussef vai ter por Mato Grosso do Sul uma atenção renovada e reforçada, porque nesse estado sairão das urnas oito deputados federais e um senador que a partir de 2015 estarão votando contra ou a favor dos interesses do Planalto. E se teoricamente oito deputados federais pouco representam nas decisões de um colegiado de 513 eleitores, na prática um senador conta, e muito, chega a ser decisivo, num colegiado de 81 votantes.

É nessa conta que entra aquela que, por enquanto, promete ser a principal disputa local de 2014, envolvendo Reinaldo Azambuja e Simone Tebet na “guerra” pela cadeira do Senado. O tucano é parte viva e, até prova em contrário, fiel ao oposicionismo militante do PSDB como partido nacional e adversário sem fronteiras do PT...também nacional. Se eleito senador, mesmo numa aliança local com o PT não poderá transpor além das fronteiras sulmatogrossenses esse arranjo. Quando tiver que votar em questões fechadas da bancada no Senado, Azambuja vai votar, ainda que contrarie interesses e humores do PT e do governo federal, bastiões onde estará ancorado (presumem as pesquisas) o governo de Delcídio.

Simone, a peemedebista, também de um partido nacional, fará sua campanha pelo Senado mais à vontade, sem fugir de qualquer territorialidade dos debates. E com a possibilidade ainda factível de ser contabilizada como mais um voto pela sugerida governabilidade da petista Dilma Roussef. Que nessa toada se componham as rimas e canções ao gosto de cada um. Os desafinados que se previnam.

Edson Moraes, especial para o MS Notícias