16 de abril de 2021
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Sucessão estadual pode "embolar" com fatos, nomes e possíveis novidades

Riedel respondeu à confiança do governador, com um trabalho de resultados, e Marquinhos tem uma gestão vitoriosa

A maior parte das pesquisas e especulações sobre a próxima disputa sucessória estadual cita com maior frequência cinco ou seis nomes de possíveis postulantes: Eduardo Riedel (PSDB), André Puccinelli (MDB), Zeca do PT, Soraya Thronicke (PSL), Nelsinho Trad (PSD) e Odilon de Oliveira, que ainda não se filiou a outro partido, desde que o fizeram deixar o PDT por incompatibilidade política e ideológica.

Também são citados, sem igual ênfase, Rose Modesto (PSDB), Sérgio Harfouche (PSC), Ricardo Ayache (PSB) e Luiz Henrique Mandetta (DEM). Contudo, há outros nomes e alguns fatos cujos impactos podem acrescentar novidades e surpresas nestas projeções iniciais. A lista de eventuais candidatos à sucessão do governador Reinaldo Azambuja (PSDB) não inclui ainda como fato consumado o nome de Marquinhos Trad (PSD), o prefeito de Campo Grande.

É compreensível que o prefeito não esteja aparecendo nessas projeções tanto quanto vale o seu peso político-eleitoral, provavelmente por causa de três motivos determinantes. O primeiro é que ele mesmo, repetidas vezes, fala que as eleições são só ano que vem, avisando que está focado na administração e preocupação com essa pandemia, seu foco é cuidar de Campo Grande  do segundo mandato. O outro motivo é o laço sanguíneo: até agora, o candidato "da família" é seu irmão, o senador Nelsinho Trad, e um conflito familiar não parece muito recomendável a ambos.

O terceiro motivo é a pré-candidatura de Riedel. A Marquinhos não é interessante neste contexto criar arestas num ambiente político e pessoal tão produtivo de parceria com o Estado. O prefeito reconhece a importância do apoio do governador ao seu pré-candidato e também dimensiona o grande alcance pessoal e político do homem que, na Secretaria de Governo e Gestão Estratégica, pensou, formulou, executou e conduziu toda a vitoriosa dinâmica da governança sul-mato-grossense.

Pode-se inferir, rigorosamente, que entre as poucas revelações políticas da atual safra em Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel está entre os que foram exigidos por desafios mais complexos. Produtor rural moderno, líder ruralista (presidiu a Federação da Agricultura e Pecuária/Famasul) e técnico habituado a demandas e decisões que impõem soluções de inteligência, ele ingressou na vida pública com o Estado vivendo a crise econômica e financeira mais devastadora da história.

Eduardo Riedel respondeu à aposta e à confiança do governador, com um trabalho cujos resultados provam que a Segov é um dos pilares centrais das altas pontuações de Mato Grosso do Sul nos indicadores nacionais de desempenho em gestão pública. Assim, o atual secretário de Infraestrutura é uma das cabeças mais inteligentes e preparadas do staff político e governamental. Está tão-somente trabalhando para potencializar condições indispensáveis para entrar de vez no jogo político-eleitoral.

CARTA NO JOGO

Entretanto, Marquinhos Trad não é carta fora do baralho, assim como a deputada Rose Modesto. Ficam como vias alternativas. Quando chegar a hora de definir nomes e chapas, Azambuja precisará testar sua popularidade e a avaliação de seu governo, para saber com certeza o grau de influência e o poder que tem para transferir votos. Nessa mesma análise, necessitará de igual sondagem sobre fôlego, capilaridade e dimensão da candidatura escolhida para representar a si e a seu partido na disputa.

O governador não ignora o quê e quem vai enfrentar na tentativa de fazer seu sucessor. Um dos prováveis concorrentes é o ex-governador Zeca do PT, que saiu da hibernação e pode-se afirmar que renasceu para a política e as disputas eleitorais quando o STF devolveu os direitos políticos de Lula. O líder nacional petista confirma-se a cada dia como o grande canalizador da crescente oposição ao governo de Jair Bolsonaro, incendeia e reanima a militância - e esse efeito contagia Zeca e seus fiéis sul-mato-grossenses.

Além do petista Zeca, na arena da concorrência tem outra fera bufando, mais faminta e ansiosa pela hora da desforra: o ex-governador André Puccinelli. Assim como no caso do petista Lula, o "trator" emedebista com os seus direitos políticos garantidos é um animal feroz no enfrentamento pelas urnas. Só essas duas prováveis candidaturas servem como razões suficientes para Azambuja não deixar a sorte decidir se o tucanato escapar são e salvo das eleições de 2022 ou cai nas garras vorazes de seus arquirrivais.