12 de junho de 2021
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Escuta do Gaeco revela "cobrança" de vereador do PTdoB a Pimentel por cargos na gestão de Olarte

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Escutas do Gaeco (Grupo de Apoio Especial de Combate ao Crime Organizado) revelam mais detalhes do escândalo que envolve o prefeito Gilmar Olarte e vereadores de Campo Grande no que, tem sido chamado popularmente, de Golpe contra o ex-prefeito da Capital Alcides Bernal (PP), que teve seu mandato cassado no dia 12 de março de 2014 por 26 dos 29 vereadores.

Segundo áudio extraído do inquérito 002/2014 que investiga suposto esquema de compra de votos de vereadores para cassar Bernal, o vereador Flávio César (PT do B) liga para o atual secretário de relações institucionais da Prefietura, Rodrigo Pimentel, filho de desembargador Sidnei Soncini Pimentel, para cobrar a nomeação de membro do PT do B em uma secretaria, que supostamente, é a Semadur (Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano).

Flávio questiona Rodrigo o porquê Olarte não aceitaria nomear alguém indicado pelo partido que não fosse vereador. O parlamentar chegar a cobrar Rodrigo pelo fato de que o prefeito não cumpriu com acordo firmado entre os dias 13 e 14 de março, ou seja, nos dias sequentes à cassação de Bernal. "Estamos dando tempo pra ele resolver porque o compromisso do dia 13 e 14 de março era nomear o Eduardo. Se ele tivesse sido nomeado, provavelmente, a gente nem teria essa conversa", disse Flávio.

Em resposta Pimental reafirmou que iria resolver o problema contemplando o PT do B, dizendo, inclusive, que iria checar com Olarte e com secretário de finanças nomeado por ele André Scaff, o percentual de cargos técnicos que o partido poderia indicar. "Estou aqui com meu conselheiro mor André Scaff vamos resolver isso", disse Pimentel.

Durante a conversa, Flávio deixa claro que o partido está ficando impaciente com a recusa de Olarte em nomear Romero ou outro indicado da sigla e comenta que isso estaria criando problemas internos com o também filiado ao PTdoB Eduardo Cury, que meses depois foi nomeado Diretor do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).

Pimentel pede calma e garante que eles serão atendidos, pois fazem parte do grupo de vereadores "que estiveram com a gente", conforme palavras de Rodrigo. Nesse mesmo trecho, o secretário cita outro nome que pode ser o vereador, Airton Saraiva (DEM), e diz: "Estou conversando também com Saraiva, também temos detalhes pra acertar."

Flávio pede urgência e reclama de Cury, que, segundo ele, "quer ser vereador a qualquer custo", e estaria pressionado, inclusive, o presidente nacional do PTdoB para interferir no caso.

O áudio deixa claro indícios de esquema para cassar o mandato do ex-prefeito Alcides Bernal. Não se pode apontar se houve compra direta de votos, mas que as conversas revelam, assim como áudios anteriores, que desde antes da cassação, que Olarte, por intermédio de Pimentel e outros nomeados secretários vinha negociando cargos e favores com os mesmos vereadores que votaram pela cassação de Bernal, isso se mostra evidente. Na conversa, Flávio chega a elogiar o trabalho de interlocutor entre vereadores e Olarte desenvolvido por Rodrigo.

Porém, talvez essa não seja a pior parte de toda história e sim a morosidade da justiça em julgar o mérito da Ação Popular que pede a recondução de Bernal ao cargo de prefeito assim como o processo resultante das investigações do Gaeco cujos áudios têm sido divulgados. 

Desde que o processo chegou ao TJMS, cinco desembargadores se declararam impedidos de julgá-lo e com isso, a justiça vem arrastando o julgamento do prefeito suspeito de se envolver em lavagem de dinheiro e corrupção passiva.

Em janeiro deste ano, a desembargadora Maria Isabel Rocha foi a última a declarar suspeição. Com isso, o processo está nas nas mãos do desembargador Luiz Cláudio Bonassini. 

Os desembargadores Francisco Gerardo de Souza, Paschoal Carmello Leandro e Sideni Soncini Pimentel também se declaram impedidos de julgar o processo. O caso de Soncini e Paschoal é mais grave ainda, pois ambos têm os filhos atuando na Prefeitura. Paschoal é pai de Fábio Castro Leandro, Procurador Geral do Município e Soncini é pai do secretário Rodrigo Pimentel flagrado nessa conversa citada na matéria com vereador Flávio César.

Em janeiro deste ano, mais uma reviravolta no caso aconteceu quando o desembargador Luiz Cláudio Bonassini da Silva devolveu  o processo do Ministério Público Estadual, que se manifestou e quase um mês depois devolveu o processo ao TJMS.

A reportagem entrou em contato com Promotor do Gaeco Marcos Alex Vera, responsável pelas investigações para saber posicionamento dele a respeito do vazamento de informações, mas não conseguiu entrevistá-lo, porém, conforme assessoria, após às 15h, ele pode se manifestar sobre o assunto.