Preso novamente pela Polícia Federal (PF) durante a Operação Lucis (o informe oficial), o empresário Rogério Siqueira Azambuja voltou ao centro de investigações sobre tráfico internacional de drogas, armas e lavagem de dinheiro na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai.
A prisão preventiva aconteceu na 3ª feira (19.mai.26), em Ponta Porã. Na cidade, ele é conhecido dos investigadores desde 2004, como dono da Wall Street Casa de Câmbio e Turismo (agora inapta, após condenação. Entenda, abaixo).
Segundo a PF, o grupo investigado operava a partir da cidade fronteiriça, considerada uma das principais portas de entrada do tráfico internacional no país.
A operação cumpriu nove mandados de prisão preventiva e 32 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, São Paulo, Mato Grosso e Bahia.
As investigações começaram após a apreensão de 551 quilos de cocaína em dezembro de 2024.
Na casa de Rogério, os agentes apreenderam celulares, dinheiro em dólar, anotações e uma pistola de pressão calibre .50.
Em Campo Grande, um homem identificado como Gleison de Oliveira foi preso em flagrante após policiais encontrarem uma pistola 9 milímetros escondida dentro de um compartimento de gesso em uma residência no Jardim Centro-Oeste. A arma estava carregada.
DUAS DÉCADAS COMETENDO CRIMES
O empresário aparece em investigações desde 2004, quando a Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou a Operação Ciclone, que mirava uma quadrilha acusada de trazer maconha do Paraguai para abastecer comunidades cariocas ligadas ao Comando Vermelho.
Na época, Rogério foi apontado como chefe do esquema, mas conseguiu escapar das prisões.
Entre os presos daquela operação estavam Valdecir Raimundo Gomes Prado, apontado como braço direito de Rogério; Douglas Lafayete Julião, sócio dele na empresa de câmbio; Roberto Carlos Gomes, conhecido como “Neném” (ainda há um mandado de prisão em aberto contra Roberto); Sueli de Souza Alcântara; Alexandre Ungaretti Nassif; além de Aral Matoso, apontado como responsável pela compra da droga no Paraguai e pela movimentação financeira do grupo.
As investigações indicavam que a droga entrava por Ponta Porã, seguia para São Paulo e depois abastecia pontos de distribuição no Jacarezinho, Rocinha, Copacabana e cidades da Região dos Lagos do Rio de Janeiro.
Quatro anos depois, Rogério acabou preso em Naviraí após período foragido. Na ocasião, policiais apreenderam armas, veículos e relógios de luxo.
Em 2016, ele voltou a ser alvo de uma operação conjunta das polícias Civil e Federal em Naviraí. Na ação, Rogério e o filho dele, Rafael Siqueira Azambuja, foram presos por posse irregular de arma de fogo. Rafael é proprietário da empresa Loca Bike LTDA (Manu Bike PP), localizada na Rua Washington Luis, no Bairro da Granja, em Ponta Porã.
Vale lembrar que desde 2018 Rafael era dono de uma empresa junto com o pai Rogério, que se chamava "Justiça Clara", localizada em Naviraí (MS). A empresa, porém, agora também está com situação inapta.
Outro preso na mesma operação de 2016, foi Lucas da Costa Ramos, autuado por tráfico de drogas.
Já em 2020, Rogério foi novamente preso na linha internacional entre Brasil e Paraguai transportando 845 munições de calibre 5.56 em um Ford Fusion com placas de Naviraí.
Em 2023, a Justiça Federal condenou o empresário por tráfico internacional de drogas e tráfico internacional de armas. As penas ultrapassam 18 anos de prisão.
Duas décadas depois das primeiras investigações, Rogério volta a aparecer em mais uma operação federal ligada ao crime organizado na fronteira sul-mato-grossense.










