27 de janeiro de 2021
Campo Grande 30º 21º

Vereador suspeito de "ficha suja" está prestes a assumir comando da Funesp

O vereador Alceu Bueno (PSL) está prestes a assumir a direção da Funesp (Fundação Municipal de Esportes) e indicar um membro de sua confiança do PSL para ficar no lugar da secretária Leila Machado. A secretaria seria o preço cobrado por Alceu para confirmar sua adesão à base de Bernal na Câmara de Vereadores. Esta não é a primeira vez que Alceu realiza barganhas políticas. O vereador, que exerce mandato devido a um recurso que conseguiu junto ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), já esteve envolvido em diversos escândalos e irregularidades. Em 2012, antes das eleições municipais, pré-candidatos e dirigentes municipais do PSL gravaram conversas em que Alceu Bueno, na condição de dirigente do PSL em Mato Grosso do Sul, exigia dos pretendentes a cargos eletivos uma contribuição financeira para “garantir” a candidatura. Conversas telefônicas de Bueno nesse teor foram gravadas por interlocutores políticos de diversas cidades. Em uma dessas conversas com um dirigente do PSL do interior, Bueno diz que não pode tirar de seu bolso, e "pediu" ao membro do partido interessado em concorrer a prefeito que lhe entregasse R$ 10 mil para colaborar com sua campanha em troca da autorização para formar alianças com outras legendas. “Como é que a candidata quer ser prefeita de um município e não tem cinco mil reais pra depositar na conta? Como que ela vai ter condições de ajudar o partido então?” Em uma das ligações, o dirigente de uma cidade do interior conversa com Alceu sobre uma coligação, Bueno afirma que por orientação do Diretório Nacional do partido, o diretório estadual havia baixado uma resolução obrigando o depósito de R$ 10 mil de todos os diretórios dos municípios onde não houvesse candidatos a prefeito ou a vice-prefeito, o PSL pudesse formalizar as coligações. Outra ligação mostra, Alceu Bueno em  conversa com uma pessoa identificada como Sebastião que seria o secretário do PSL da cidade de Iguatemi. Na gravação é possível ouvir que Bueno reduzia o valor da taxa de R$ 10 mil para R$ 7 mil sendo que poderia ser pago em suas vezes. Somente desta forma é que o PSL de Iguatemi teria autorização para formalizar a coligação. Em Iguatemi o PSL contava, na época, com oito pré-candidatos a vereador. Na terceira gravação, Alceu Bueno conversa ao telefone com o dirigente do PSL de Deodápolis. Nesta gravação o presidente estadual do PSL também pede o pagamento da taxa de R$ 10 mil sob pena do partido local não lançar candidatos. Bueno diz para o dirigente que o dinheiro deve ser depositado numa conta do partido na Caixa Econômica Federal. O dirigente chegou a dizer na gravação que estava sem dinheiro até mesmo para comprar créditos para o seu telefone celular quanto mais para pagar a tal “taxa”. O presidente do diretório nacional do PSL (Partido Social Liberal), Luciano Bivar que mora em Recife, mas estava em São Paulo a trabalho, disse na época que não existe esta cobrança de taxa no âmbito do partido e se isso está acontecendo em Mato Grosso do Sul deverá ser apurado pelo Conselho de Ética do PSL.  Bivar afirmou que não tinha conhecimento das gravações e tão logo seja formalizada a denúncia no Diretório Nacional o Conselho de Ética será acionado para instaurado um processo de investigação para apurar os fatos e punir os culpados se houverem. Recentemente, o vereador foi descoberto ocupando uma área pública ilegalmente, e está prestes a ter que devolver judicialmente a área ocupada. Segundo documentos obtidos pela reportagem do MS Notícias, junto à Semadur (Secretaria municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano), Alceu Bueno ocupa, há quase 20 anos, uma área pública, localizada no bairro Novos Estados, que pertence ao complexo do conjunto habitacional Novo Amazonas II. De acordo com a Semadur, além de ocupar ilegalmente a área, Alceu construiu o Depósito Bueno sem obter licença ambiental para funcionar, o que é proibido por lei. O MPE (ministério Público Estadual) por meio da 26ª Promotoria de Justiça do Meio Ambiente instaurou inquérito para apurar o caso. Além de todas essas irregularidades, em dezembro de 2013, Alceu Bueno "tomou a liberdade" de reter o pagamento de 13º de seus funcionários na Câmara para custear suas despesas com advogados no processo me que tenta se defender da acusação de compra de votos. Alceu é acusado de gastar mais de R$ 100 mil em vale-combustíveis para comprar votos nas eleições de 2012. A reportagem entrou em contato com o prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP) e com o secretário de governo e relações insititucionais Pedro Chaves para saber o posicionamento de ambos em relação ao caso, mas não obteve retorno. Heloísa Lazarini