09 de agosto de 2020
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Vereadores defendem que o reajuste salarial estava dentro da legalidade

Diana Christie

Os vereadores de Campo Grande estão descontentes com a decisão que suspendeu o aumento salarial de 61,9% do legislativo e executivo municipal. De acordo com a decisão emitida pelo juiz Amaury Kuklinski, o reajuste foi votado em menos de 180 dias antes do final do ano administrativo, ferindo a lei de responsabilidade fiscal.

“Eu queria ver os promotores fazendo o mesmo com o salário deles”, reclamou de forma exaltada, o vereador Zeca do PT.  Segundo ele, a ação é uma tentativa de desqualificar o trabalho dos vereadores e não passa de “sensacionalismo político” e “busca de holofotes”. Zeca declarou ainda que entrará com uma ação contra o Ministério Público por causar prejuízos à sua imagem.

Após ser questionada se o valor dos salários é demasiadamente alto, considerando que a renda média da população campo-grandense gira em torno de R$ 1,6 mil, Luiza Ribeiro (PPS) foi categórica: “O valor em si está compatível. Não tem que comparar com a renda média da população. É preciso comparar com as categorias equivalentes”, afirmou.

Flávio César (PT do B) explica que o aumento de R$ 9,280 mil para R$ 15,030 mil no salário dos vereadores está dentro da lei. “Foi feito dentro da legalidade. Obedecendo o que estabelece a constituição federal. A procuradoria da casa vai analisar isso. Se há dúvidas da sociedade é preciso fazer um comparativo com outras instituições”, disse. Flávio César defende que o valor é justo, pois, segundo ele, os vereadores não cumprem apenas uma carga horária comum de oito horas diárias.

O vereador Eduardo Romero (PT do B) preferiu não opinar se o valor recebido é justo ou não. “Eu acredito que todos os cuidados legais foram tomados na administração anterior. O que o Ministério Público decidir, eu estou de acordo. Se for pra devolver o aumento, estou de acordo também”, declarou.

O prefeito Alcides Bernal (PP) já se manifestou que não entrará com liminar para suspender a ação. Porém, segundo Mário César (PMDB), a procuradoria jurídica da Câmara está estudando a possibilidade de recorrer da decisão judicial.