26 de outubro de 2021
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INVESTIGAÇÃO | DNA

Ossada é identificada um ano e meio após ser achada; 'era chefe de cozinha'

Esta é a primeira identificação feita pelo banco de dados de DNA

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Foi identificado como sendo do chefe de cozinha, Antônio Ailton da Silva, de 53 anos, a ossada achada em 7 de março de 2020.

Com a Campanha Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Desaparecidos, o Instituto de Análises Laboratoriais Forenses (IALF) e a Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada de Homicídios (DEH), conseguiu esclarecer o desaparecimento do chefe ocorrido em fevereiro.

Durante a campanha, foram coletados materiais biológicos de 62 familiares e feito o cruzamento das informações, com as amostras existentes no Banco de Perfis Genéticos de Mato Grosso do Sul. "Em todos os casos de achados de cadáveres, o IMOL encaminha uma amostra para o IALF, para fazermos a extração de DNA dessa amostra e inserir o perfil genético obtido no Banco de Perfis Genéticos, a nível estadual e nacional", explicou a diretora do IALF, Josemirtes Prado da Silva.

Diretora do IALF, Josemirtes da Silva, e o delegado Carlos Delano. Diretora do IALF, Josemirtes da Silva, e o delegado Carlos Delano. 

Segundo Josemirtes, dois irmãos do chefe de cozinha compareceram no IALF durante a campanha e forneceram material genético. "Quando inserimos o DNA dos familiares no Banco, houve uma confirmação de vestígios de uma ossada, com o material genético dos familiares dessa vítima", detalhou.

Conforme o titular da Delegacia Especializada de Homicídios, delegado Carlos Delano, a ossada de Atônio estava numa lavoura de soja existente às margens da BR-163, na saída para São Paulo, em Campo Grande.

Havia, segundo Delano, uma investigação para esclarecer o desaparecimento de Antônio Ailton e em paralelo, outra apuração para identificação dos restos mortais encontrados na saída para São Paulo. "O laudo de necropsia apontou não haver indícios de morte violenta ou criminosa. Então, se não tivéssemos essa ferramenta, as dificuldades para esclarecimento dos fatos seriam bem maiores", disse o delegado.

AGUARDAM IDENTIFICAÇÃO

Existem atualmente no IALF, em Campo Grande, 79 ossadas humanas à espera de identificação. E, nos últimos 5 anos, foram registrados em todo o Estado 8.184 desaparecimentos, sendo 3.284 deles só na Capital.

A diretora do IALF disse que mesmo com o fim da Campanha Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Desaparecidos, pessoas que tenham algum parente sumido, pode procurar a Delegacia de Homicídios, em Campo Grande, ou qualquer Delegacia da Polícia Civil nos municípios do interior, para realizar a coleta de material genético.

PÓS COLETA

Após a doação do material, os peritos irão analisar a amostra coletada para realizar o cadastro do perfil genético no banco de dados. Com a amostra cadastrada, será feito o cruzamento com os dados do banco, que é atualizado diariamente com perfis genéticos de pessoas vivas desconhecidas e de pessoas falecidas não identificadas de todo o Brasil.

Caso seja identificado um possível parentesco com os dados de alguma pessoa encontrada viva ou morta, os peritos informarão a Polícia Civil ou ao Instituto Médico Legal (IML). No caso do resultado positivo para uma pessoa viva, a família será informada sobre a localização da pessoa. No caso de positivo para alguém falecido, o IML entrará em contato com os familiares para realizar os procedimentos legais.