27 de janeiro de 2022
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DOPAVA E ROUBAVA

Miss nascida em MS perde título após ser presa no Rio de Janeiro

Acusada de ser a chefe de uma associação criminosa

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Mikaelly da Costa Martinez, de 25 anos, presa sob acusação de ser a chefe de uma associação criminosa que rouba clientes durante programas sexuais perdeu o título Miss Brasil Trans, conquistado em 2019, quando ela representou o estado de São Paulo no concurso nacional. Ela foi presa quando estava na Praia de Ipanema, na Zona Sul do Rio, neste domingo (28.nov.21).

Segundo os investigadores, Mikaelly é sul-mato-grossense, natural de Coxim, mas atualmente vivia no eixo Rio São Paulo. Ela é acusada de atrair homens no Rio de Janeiro por meio do seu perfil no Instagram e, ao chegar a motéis, dopá-los para furtar alguns dos seus pertences, como celular, relógio e cartões de débito e crédito

"A organização do concurso comunica que a miss de 2019, Mikaelly Zanotto, perdeu o seu título devido a conduta irregular perante a lei. A atitute isolada dela (caso único em 27 anos) não reflete a nossa filosofia de empoderamento e visibilidade positiva", informou em comunicado divulgado nas redes sociais.

A vice campeã do concurso em questão foi Priscilla Portilho, também de MS, que na ocasião truxe o título de Vice Miss Trans Brazil 2019 para o Estado. 

O Miss Brasil Trans 2021 acontece em 14 de dezembro, às 20h em Recife, com show da grande estrela Sayuri Heiwa. O evento será beneficente - poderá ser trocado ingresso por 1kg de alimento não perecível.  

INVESTIGAÇÃO

De acordo com o delegado Leandro Gontijo, titular da 16ª DP, em um dos casos um homem diz ter conhecido Mikaelly por volta de meia-noite de 16 de julho em um bar na Avenida Érico Veríssimo, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. Na delegacia, ele contou que a chamara para ir embora com ele quando estava na fila de saída. Os dois entraram no carro dele e seguiram em direção a um motel na Barrinha. No estabelecimento, a transexual teria lhe dado uma lata de cerveja com algum tipo de substância.

Ainda segundo o depoimento, o rapaz disse se recordar somente do momento em que percebeu que estava sem a carteira e o celular. Ao questionar Mikaelly, ela disse que chamaria no quarto uma amiga e, momentos depois, apareceu com seu comparsa, Alexandre Porto Furtado Júnior, que está foragido. A vítima acusou a transexual de roubar seus pertences. Segundo ele, a Miss saiu correndo, entrando em um carro de aplicativo. Ao pagar a conta do motel, ele percebeu que teve três cartões de débito e crédito roubados. Dias depois, foram feitas três transações financeiras de R$ 6 mil e uma tentativa de empréstimo de R$ 5 mil.

Em outro procedimento, Mikaelly é suspeita de um crime semelhante. Nesse caso, foram feitas transferências bancárias por meio de PIX para a conta dos criminosos.

UTILIZA DIVERSOS NOMES

As investigações mostraram que Mikaelly utiliza diversos nomes, o que dificulta sua identificação nos crimes. Apenas em Mato Grosso do Sul, ela possui 17 anotações criminais por furto, além de dano e receptação. Em 1 de janeiro de 2015, ela foi presa em flagrante por matar a travesti Douglas dos Santos Pinheiro, conhecido como Verônica Bismark, com um golpe de canivete em Coxim (MS). Ela também é suspeita de crimes em São Paulo e em Santa Catarina.

Há dois anos, Mikaelly foi coroada Miss Transex Brasil, tido como o mais importante concurso de beleza para “mulheres travestis e transexuais brasileiras, com décadas de tradição e inclusão”, de acordo com a organização. Na ocasião, ela vestia um figurino inspirado em rainhas medievais avaliado em R$ 30 mil.

“Eu me dediquei o ano todo para a tão sonhada coroa e tive uma equipe que me apoiou desde o começo, com estilista, maquiador, coreógrafos e professores para uma melhor oratória. Sou grata a toda essa equipe”, disse la na época.