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quarta, 18 de setembro de 2019

CONTURBADA

Encurralado, Moro continua sem respostas para questionamentos

Totalmente nu, o “príncipe” depende da generosidade do “rei” para permanecer no pedestal de barro

Por: REDAÇÃO03/07/2019 às 12:13
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Foto: Reprodução

Enquanto pôde, o ministro Sérgio Moro, da Justiça e Segurança Publica, recorreu a alocuções genéricas, evasivas e artifícios de retórica política e conceitual para safar-se das perguntas disparadas por deputados que tentavam colocá-lo na parede durante a sabatina realizada ontem (terça-feira) na Câmara Federal. Porém, chegou o momento em que essas escapadelas perderam a força e o sentido, diante da objetividade cada vez mais incisiva de parlamentares que conseguiam tocar no calcanhar do super-Aquiles do Planalto. E foi então que o pano desceu para o segundo ato.

Ao contrário da audiência no Senado, com menor número de parlamentares e perguntas que em geral não exigiram tanto esforço para respostas objetivas, na Câmara o ministro teve que ouvir e enfrentar questionamentos mais duros, ora provocativos, ora encurraladores. E ainda foi desafiado mais de uma vez a olhar nos olhos dos parlamentares que lhe estavam fazendo as perguntas. Muitas vezes Moro não os encarava, ficava e cabeça baixa ou olhava para os lados. Não era a postura que se esperava de um ministro num dos momentos mais dramáticos e reveladores de sua história pessoal e profissional.

O ESCRITÓRIO

Uma das perguntas que mais incomodaram o super-ministro e ficou sem resposta foi feita pela petista Gleisi Hoffmann, sua conterrânea e figadal adversária. Ela quis saber como eram as relações entre sua esposa, Rosângela Wolf Moro, e o lobista Carlos Zucolotto. E dirigiu estas perguntas: “Sua esposa teve escritório com Carlos Zucolotto? Sim ou não?O senhor ou a esposa tiveram ou têm conta no exterior? O senhor já fez viagem ao exterior acompanhado do advogado Zucolotto? Ele já fez pagamentos em favor do senhor nessas viagens?"

Desconcertado, Moro considerou “maluquice” a pergunta sobre contas no exterior. E minimizou as demais interrogações, limitando-se a dizer que Rosângela foi aócia de Zucolotto por um tempo e que nada de ilícito havia nisso. E só. A “Veja” foi checar e constatou porque o ex-juiz não ousou entrar em detalhes.

A revista relata: “Três empresas funcionam no mesmo endereço em Curitiba. Além da HZM2 Cursos e Palestras, a rua Nilo Peçanha 897, também é o espaço onde fica a CZJ Assessoria e Consultoria Empresarial e a VPS Advogados. Com exceção da última, todas têm como proprietário o lobista Carlos Zucolotto”. E acrescenta: “Na HZM2 sua sócia é a esposa do ministro da Justiça, Sérgio Moro, Rosângela Wolf. Zucolotto é apontado pelo ex-advogado do grupo Odebrecht, Tacla Durán, como intermediiário de negociações paralelas com a Lava Jato. Ele seria o responsável por um esquema de delações premiadas liderado pelo ex-juiz federal.

Moro poderia rebater Gleisi com alusões indiretas à presença da deputada no imaginário de quem coloca os petistas no pacote de alvos da lava Jato. No entanto, o ministro sabe que apesar das acusações formalizadas Gleisi foi absolvida dos processos já concluídos e não é ré em nenhuma ação.  

ÁUDIOS

O deputado Marcelo Freixo (PSOL/RJ) indagou se Moro havia trocado mensagens de áudio com procuradores da Lava Jato. Ele mais uma vez se esquivou e não respondeu. Seguiu batendo na hipótese de que algumas mensagens mostram "sinais de adulteração", sem apontar concretamente quais. "Acho que respondi à pergunta, sim", declarou, sobre nova pergunta de Freixo.  

 Ao deputado Zeca Dirceu (PT/PR), que pediu informações ao ministro, a quem está subordinada a Polícia Federal, se era verdadeira a notícia divulgada pelo site “O Antagonista” segundo a qual a PF pediu ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) um relatório sobre as atividades financeiras do jornalista Glenn Greenwald, editor do The Intercept Brazil.

A pergunta havia sido feita e repetidas outras vezes, mas ficaram sem respostas. O deputado paranaense cobrou então: “O ministro está aqui para responder perguntas. E não está respondendo”. Acuado, Moro balbuciou laconicamente que não participa das investigações e que a pergunta deveria ser feita ao “órgão certo”. Foi uma grosseira e debochada resposta, dada exatamente pelo chefe maior do “órgão certo” a quem ele recomenda ser formulado esse questionamento.

JUIZ LADRÃO

O deputado Glauber Rocha (PSOL/RJ) foi infeliz na tentativa de construir uma analogia entre a atuação de Moro na Lava Jato e o desabafo tradicional de torcedores para condenar as marcações dos árbitros nas partidas de futebol. Rocha queria lançar Moro no fosso comum do célebre “juiz ladrão” que desde a invenção do futebol ecoa nas arquibancadas. Mas construiu mal o contexto e seu xingamento ficou cravado como um mero e grosseiro xingamento, devolvido na mesma planície rasa pelo colega Eder mauro (PSD/PA), que o chamou de viado. Deveriam, ambos, ser enquadrados pelo Conselho de Ética da Casa.

A maior contradição de Moro, no entanto, está mesmo no embrulho que o enrola a partir das divulgações dos diálogos com o procurador Deltan Delagnol, pelo Intercept Brazil. Num dia Moro tenta desqualificar e criminalizar o site, salientando se vítima de um ataque criminoso e estar no alvo de quem quer acabar com a lava Jato. Nos outros dias se alterna entre duvidar da veracidade das mensagens, depois admitir que pode ter dito alguma coisa nessas mensagens e ainda considerar que “é normal e sem ilicitude” um juiz conversar com advogados e procuradores.

Moro ignora o Código de Ética da Magistratura e desafia lógicas desapaixonadas e o bom-senso de quem esperava espírito republicado, imparcialidade e disciplina ética de um juiz de execução, e não de instrução, como frisou o deputado Alessandro Molon (PSB/RJ). Em lugar de manter-se equidistante das partes na Lava Jato, Moro procurou tecer com Delagnol e outros procuradores uma rede de fatos e situações que pudessem esculpír e reforçar uma imagem demoníaca e criminosa dos alvos centrais da operação Lava Jato.

A VERDADE 

Os diálogos revelados pelo The Intercept precisam ser esclarecidos em todos os detalhes, especialmente porque abrem uma espécie de “caixa preta” de um momento emblemático: a sucessão presidencial, cujos acontecimentos, a partir da prisão do ex-presidente petista Lula, foram decisivos para a vitória de Jair Bolsonaro. Uma vitória que premiou Moro com um ministério e abriu ainda dois caminhos futuros ao ex-juiz: ingressar no degrau mais alto da magistratura, com uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF) ou ascender ao mais elevado bastião da política brasileira, a presidência da Republica. O problema é que agora o “príncipe” do combate à corrupção já se vê sem as roupas que o cobriam outrora. E passa a contar com a condescendência e a cumplicidade generosa do “rei” do Planalto para seguir “ministrando” e sonhando com o Olimpo.

O site www.gauchazh.clicrbs.com.br fez uma lista interessante com 10 perguntas que Moro não responde, esquiva-se ou cria respostas diferentes.

Confiram:

1) Inicialmente, o ministro não negou a autoria das mensagens divulgadas, mas, em seguida, adotou o discurso de que não poderia dizer se aqueles diálogos de fato aconteceram. Por que mudou de versão? 

2) O ministro tem as mensagens arquivadas para que possam ser comparadas às agora divulgadas pelo site The Intercept Brasil?

3) O ministro vai determinar que a Polícia Federal investigue o teor das mensagens para saber se de fato são autênticas? E, considerando que a PF é ligada ao Ministério da Justiça, pasta controlada por Moro, não há risco de conflito de interesses e questionamentos sobre a parcialidade da investigação?

4) Moro disse ter sido um descuido não ter formalizado à Procuradoria a sugestão sobre uma testemunha no caso Lula. O ministro também teve esse descuido e encaminhou dicas para a defesa do ex-presidente Lula?

5) O ministro antecipou decisões também para a defesa do ex-presidente ou apenas para o Ministério Público? Pode citar algum caso?

6) As mensagens indicam uma colaboração entre Moro e o Ministério Público. Durante todo o processo do triplex de Guarujá, o ministro considera ter mantido uma distância equivalente entre as partes, como determina o Código de Ética da Magistratura?

7) Por que disse confiar no ministro Luiz Fux?

8) Nas mensagens, o ministro demonstra não confiar em outros ministros do Supremo. Qual era a desconfiança?

9) Ao tratar da divulgação das interceptações entre Lula e Dilma, Moro afirmou em entrevista que o mais importante era o conteúdo. Por que mudou de ideia, já que agora diz que o mais significativo é a forma com que as conversas foram capturadas?

10) O projeto inicial de 10 medidas anticorrupção previa a possibilidade de uso de provas ilegais desde que obtidas de boa-fé. O ministro mantém essa opinião?

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