19 de janeiro de 2022
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COMBUSTÍVEIS | DESPESAS

"Fator Petrobrás" é culpado pelo alto preço da gasolina no bolso do consumidor

Trabalhador viu o valor do combustível subir da casa de quatro reais para, em média, R$6,53

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Com base nos dados da Agência Nacional do Petróleo, o Sindicato dos Fiscais Tributários Estaduais de MS(Sindifiscal) apontou que o alto valor pago pelos consumidores nos combustíveis está ligado, principalmente, ao preço do barril do petróleo que sofreu uma variação de 290%.

Como grande vilão da alta no preço dos combustíveis, aparece  o valor do barril de petróleo. Em outubro deste ano, o [barril de petróleo] Brent apresentou crescimento de quase 13% em relação ao mês anterior, atingindo US$ 82.12. Ainda, a pandemia fez a demanda por combustíveis cair e o barril do petróleo sofreu desvalorização. O produto chegou a custar em torno de US$ 21.04 em abril de 2020.

Essa análise foi feita pelo Observatório Econômico do Sindifiscal, que - lançado em 2015 - monitora a economia de Mato Grosso do Sul, através da produção de pesquisas e estudos técnicos com informações e propostas.

Segundo o Observatório, o preço médio da gasolina comum no estado para o consumidor final alcançou em novembro a marca de R$ 6,53 o litro. Esse valor representa um aumento de 37,85%, em relação a janeiro deste ano, quando o combustível custava, em média, R$ 4,73.

Diante desses números, a equipe de especialistas "culpa" o chamado "Fator Petrobrás", que trata da relação entre o “preço-Petrobras” do combustível e o preço ao consumidor final na região Centro-Oeste.

Clauber Aguiar é o fiscal tributário diretor do Observatório Econômico, ele diz que 1% de aumento do combustível no “preço-Petrobras” acarreta elevação de 0,61% no preço ao consumidor. Ele explica que esse impacto não é observado nas bombas, "uma vez que proporcionalmente não houve reajustes nas margens de distribuição e revenda”. Junto com ele, assinam o estudo o consultor, Aluizio Pires, e a economista Patrícia Ayala.

“Com a gradual retomada das atividades pós isolamento social e a baixa na produção do petróleo, o preço do barril aumentou. Em outubro de 2021 o barril já custava US$ 82.12, apresentando crescimento total de 290,33% em relação ao preço de abril de 2020. Apesar disso, o preço médio da gasolina no Brasil apresentou crescimento em quase todos os meses de 2021, com preço máximo de R$ 7,88 em outubro para o consumidor final.

FORMAÇÃO DE PREÇOS

Conforme material da assessoria, o "Preço-Petrobrás" aparece como o fator de maior participação na composição de preço ao consumidor, tanto para a Gasolina "A" (cerca de 33,5%), quanto no preço do diesel B S500, onde o Preço-Petrobras do Diesel A S500 representou (de janeiro a junho de 2021) mais da metade do valor total, em média 53,2%.

De forma simultânea, o preço médio do diesel no MS apresentou crescimento total, no comparativo entre os meses de janeiro e junho de 2021, de 32,52%.

O aumento na bomba foi agravado ainda pela valorização do dólar. Em relação ao real, a taxa de câmbio era de 5,47 em setembro deste ano, fechando outubro com crescimento de 3,74% em relação ao mês anterior, totalizando 5,64.

Enquanto a taxa de câmbio aumentou 32,17% de janeiro de 2020 até outubro de 2021, a gasolina comum no Brasil apresentou crescimento total de 52,19% no décimo mês deste ano em relação ao mesmo período de 2020.

“As altas variações no preço do barril de petróleo causadas pela pandemia e pela desvalorização cambial são responsáveis por esse persistente aumento nos preços dos combustíveis brasileiros. Pois, por se tratar de uma commodity importada pelo Brasil e negociada em dólar, com a desvalorização do real, o custo da matéria prima sofre grande aumento, o que impacta no preço do consumidor final”, conclui o estudo.