19 de janeiro de 2022
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PESQUISA | ECONOMIA

Para sustentar família, salário mínimo deveria ser R$ 5,9 mil no Brasil

Só assim daria para viver bem no Brasil com tudo a preços altos; salário, porém é 5 vezes menor

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Os brasileiros deveriam ganhar o salário mínimo de R$ 5.969,17 em novembro de 2021, para pagar o mínimo de dignidade no Brasil, é o que mostra a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada mensalmente pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O levantamento aponta o quão caro está viver no Brasil sob a gestão de Jair Bolsonaro (PL). 

Segundo o Dieese, essa é a oitava alta seguida do valor, que supera em 5,42 vezes o piso nacional vigente, de R$ 1.100.

Na comparação com o piso em março de 2020, início da pandemia do coronavírus no Brasil, o salário mínimo já subiu 33%, acompanhando a escalada de preços da economia.

A pesquisa entende como necessidades básicas os gastos com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.

O cálculo do Dieese é feito com base no valor da cesta básica mais cara no mês — que, em novembro, foi a de Florianópolis (R$ 710,53), seguida por São Paulo (R$ 692,27) e Porto Alegre (R$ 685,32).

O valor do piso sugerido pelo governo Bolsonaro para 2022 é R$ 1.210, o que corresponde a um reajuste de 10% em relação ao vigente.

O aumento acompanha a projeção do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) para este ano, de 10%, e indica que os trabalhadores não terão aumento real.

A equipe econômica, liderada por Paulo Guedes, já vinha reajustado o piso apenas com a variação da inflação mesmo antes da pandemia, com o argumento de que precisa preservar o ajuste fiscal. 

Tradicionalmente, os reajustes do mínimo são calculados a partir do aumento do INPC somado da variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. Criada pelo governo Lula, essa regra virou lei em 2012, durante o governo Dilma, mas expirou em 2019 e não foi do interesse de Bolsonaro dar um reajuste salarial decente ao trabalhador, por isso a Lei não foi repensada e reintegrada.