23 de novembro de 2020
Campo Grande 35º 20º

COVID-19

Enfermeiro dorme no terraço para proteger a mãe; faz plantão de 12h por R$ 80

Joseildo trabalha na linha de frente dos casos suspeitos de Covid-19, o novo coronavírus no UPA de Campina Grande

Ganhando R$ 80 pelo trabalho de 12h, o enfermeiro, Joseildo da Silva Batista, de 33 anos, que atua na Unidade de Pronto Atendimento de Campina Grande em Paraíba, tem que dormir no terraço da casa em que vive com a mãe de 74 anos. Ele adotou a medida para não infectar a mãe, Sofia, que tem asma, pressão alta e, há um mês, sofreu um infarto.

"Quando soube que poderia transmitir para ela, pensei: 'para onde eu vou?' Com o salário que a gente ganha, não dá para alugar um quartinho. Eu não quero, casa, hotel, só quero um quarto para poder ficar tranquilo e exercer minha profissão sem medo de machucar a minha mãe, meu bem maior", contou Joseildo.

Ele tem que trabalhar 13 plantões, de 12h, (divididos em seis de 24h e 1 de 12h), para ganhar o salário mínimo de R$ 1.045, que com os descontos fica R$ 946, isso dá os R$ 80 por 12h.   

Em entrevista à BBC News, o enfermeiro disse que usa o dinheiro para pagar pensão para o filho de sete anos e ajudar a mãe em casa, onde moram também duas irmãs e duas sobrinhas. Antes, ele, a mãe e uma irmã dormiam no mesmo quarto, por falta de espaço na casa. Agora, diz passar um pouco de frio no terraço - Campina Grande fica na serra - mas nada que o impeça de "seguir a vida".

Joseildo trabalha na linha de frente dos casos suspeitos de Covid-19, o novo coronavírus no UPA de Campina Grande.  Na cidade há três casos confirmados até agora. Em todo o Estado da Paraíba, eram 55 até esta sexta-feira (10.abril).

Fonte:  *Veja AQUI a reportagem completa da BBC News.