30 de novembro de 2020
Campo Grande 35º 24º

TRAGÉDIA

Morrem 9.146 brasileiros por Covid-19 e Brasil vai à 6º no mundo

É o terceiro dia seguido com mais de 600 novos óbitos. Desobediência ao isolamento causa impactos à população

Leia também

• Embaixador do turismo de Bolsonaro, é preso com passaporte falso

• Tebet diz que Bolsonaro governa em uma "bolha virtual"

• Bolsonaro quer pedoar R$ 144 milhões em dívidas de evangélicos

• Bolsonaro tem 23% de aprovação na pandemia, diz XP/Ipespe

• Em meio à pandemia, Exército gasta R$ 3 milhões em evento com Bolsonaro

• Não há mais espaço para postergar a reabertura da economia, insiste Bolsonaro

• Bolsonaro é maior ameaça ao combate à Covid-19, diz revista respeitada

• Bolsonaro diz que fará churrasco 'para uns 30' e que vai visitar a mãe

Secretário e dados do Ministério da Saúde divulgados sobre o coronavírus no Brasil, nesta 5ªfeira (7.maio) apontam que o Brasil registrou 610 novas mortes por Covid-19 nas últimas 24 horas, e que houve um aumento na curva, segundo os próprios secretários do ministério da Saúde. É o terceiro dia seguido com mais de 600 novos óbitos, foram 615 no dia anterior, o maior número até agora, e 600 na 3ªfeira (5.maio).

O Brasil perdeu 9.146 brasileiros para a Covid-19, país registra 9.888 novos casos confirmados de Covid-19 e tem, ao todo, 135.106.  

Brasil se tornou a 6ª nação onde mais pessoas morreram vitimas da Covid-19, após superar a Bélgica na 4ªfeira passada. 

Segundo a Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos, que monitora dados da pandemia. Os cinco primeiros países com mais óbitos são EUA (75.447), Reino Unido (30.689), Itália (29.958), Espanha (26.070) e França (25.990).

Especialista apontam que uma tragédia sem precedentes deve acontecer no Brasil, devido aos poucos testes, descumprimento de regras de isolamento, incentivada até mesmo pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, que afirmou no final da noite de ontem, que pretende fazer 'um churrasco'no próximo sábado. A revista Inglesa revista científica britânica The Lancet, uma das maiores do mundo, que orientou outras pandemias existentes, criticou o posicionamento do presidente e o chamou de "líder 'e daí?'".  

A média de novas mortes confirmadas a cada dia vêm crescendo. Na última semana, por exemplo, a média diária ficou em torno de 429. Já na semana anterior, era em torno de 238.

Das 610 novas mortes confirmadas na quinta, 227 ocorreram nos últimos três dias, e as demais em dias anteriores, situação que chama a atenção para o atraso no diagnóstico no país.

Embora frisem que parte das mortes ocorreram em dias anteriores, sendo apenas confirmadas na mesma data, representantes do Ministério da Saúde admitem que há uma tendência de aumento na curva.

Apesar da alta consistente nos registros de mortes, o presidente também voltou a defender a abertura do comércio e a redução das medidas de restrição de circulação.

"A melhor medida é sair o mais rapidamente possível da situação que nos encontramos", disse ele na porta do Palácio da Alvorada. "Precisa abrir o comércio, o povo tem que voltar a trabalhar. Há 60 dias eu falo isso e sou massacrado, [dizem que estou] preocupado com a economia e não tá dando bola para vida, [que] a economia se recupera e a vida não", disse. "Chega um ponto que você não recupera a economia e e sem economia tua vida também vai para o espaço", respondeu o presidente.  

Como não há vacina ou um medicamento contra a Covid-19, o isolamento social é apontado em todo mundo como a medida mais eficaz para salvar as vidas. O presidente disse, no entanto, que a medida não funciona. "Essa questão de ficar em casa, e 'não saia', não está funcionado, tá servindo para matar o comércio", reiterou. 

Bolsonaro protagonizou críticas a governadores que determinaram o fechamento de comércios, como em São Paulo e Rio de Janeiro. Nesta quinta, ele esteve no STF (Supremo Tribunal Federal) para pressionar pela reabertura.

O Supremo determinou que cabe a estados e prefeituras essa decisão - o governo federal recorreu da determinação. Mas, ao comentar decisão da Justiça que adiou a abertura do comércio, Bolsonaro defendeu, dessa vez, a autonomia do governador.

"Se ele é governador, ele que tem que decidir as questões do Executivo. Cada poder no seu devido lugar", disse. Já o ministro da Saúde, Nelson Teich, tem defendido que sejam analisados os cenários regionais, e não uma "média Brasil".

Neste contexto, São Paulo continua sendo o estado com mais casos e mortes por coronavírus. Ao todo, são 39.928 registros da doença, com 3.206 mortes. O avanço ocorre em meio a dificuldade enfrentada no estado em manter os índices de isolamento social.

Depois de São Paulo, o estado com maior número de casos é o Rio de Janeiro, com 14.156 casos e 1.394 mortes e Ceará, com 13.888 casos e 903 mortes.

A classificação, porém, muda quando analisados os dados de incidência da Covid-19, indicador que abrange o total de casos pela população.

A maior incidência é registrada no Amapá, com 2.600 casos a cada 1 milhão de habitantes. Em seguida, está Amazonas, um dos primeiros estados a apresentar sinais de colapso na rede de saúde, com 2.437 casos a cada 1 milhão de pessoas.

Roraima, Ceará, Pernambuco, Acre e Espírito Santo completam a lista de maior incidência, seguidos de São Paulo e Rio de Janeiro.

Dados do Ministério da Saúde apontam ainda uma estimativa de que o país já tenha ao menos 55.350 pessoas recuperadas da Covid-19. Outras 70.160 permanecem em acompanhamento. Mato Grosso do Sul registrou 311 infectados e 10 mortes, segundo dados  Secretaria de Estado de Saúde (SES-MS).