28 de setembro de 2020
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Velório

Polícia para velório para examinar corpo de homem que morreu em hospital

Medida foi tomada após família registrar boletim de ocorrência apontando negligência na morte ocorrida no Hospital da Vida

Policiais civis interromperam o velório de um homem na noite de ontem (26) em Dourados, a 233 km de Campo Grande, e levaram o corpo para ser examinado pelo médico legista no IML (Instituto Médico Legal). Horas depois, o corpo foi devolvido à família para a continuidade do velório e foi sepultado no início desta tarde no Cemitério Bom Jesus.

Marcel Cabreira Faustino, 33, morreu na madrugada de ontem após ficar um mês internado no Hospital da Vida. Ele tinha sido diagnosticado com um tumor benigno no crânio e morreu de infecção generalizada, segundo o hospital.

A interrupção do velório ocorreu depois de a família registrar boletim de ocorrência na Polícia Civil denunciando suspeita de omissão de socorro e falsidade ideológica por falsificação de documento público (laudo sobre a causa da morte). O caso foi registrado como “morte a esclarecer”.

Ontem, o Campo Grande News divulgou em primeira mão que a mãe de Marcel, Elizabeth Cabreira Clementino Faustino, tinha procurado o promotor de Justiça Eteocles Brito Mendonça Dias Junior e denunciado omissão, negligência e erro médico como causa da morte do filho.

Nesta quarta, Elizabeth disse à reportagem que decidiu registrar o boletim de ocorrência para que o corpo do filho passasse por necropsia antes de ser sepultado. Ela responsabiliza o hospital e médicos da unidade pela morte.

À polícia, Elizabeth disse que o tumor no crânio de Marcel foi diagnosticado em agosto deste ano e que depois disso ficou internado por várias vezes no Hospital da Vida. A última internação ocorreu no dia 26 de outubro. Ontem, exatamente um mês depois, ele morreu durante parada respiratória.

No boletim de ocorrência, Elizabeth citou a declaração de um dos médicos, de que o serviço de neurocirurgia do Hospital da Vida tem como atribuição atendimento de casos de urgência e emergência neurocirúrgica e que tumor cerebral “com aspecto benigno” que não necessitava de tratamento de urgência.

Ela acusa o hospital de não pedir a transferência de Marcel para o HU (Hospital Universitário) e de se negar a fornecer documento para a remoção dele a um hospital de Arapongas (PR), onde conseguiu, por conta própria, uma vaga para o filho.

Após a internação do dia 26 de outubro, segundo Elizabeth, o quadro de Marcel se agravou depois que ele passou por duas cirurgias para drenagem do tumor. Hospitalizado, contraiu infecção bacteriana generalizada. “O médico continuou a afirmar que a remoção do tumor não era prioritária”, segundo a denúncia à polícia.

Hospital – Ontem, a direção do Hospital da Vida negou irregularidade no atendimento e disse que a morte de Marcel Faustino ocorreu por causa da infecção apresentada pelo paciente.

Segundo o relatório médico, o paciente tinha craniofaringioma – um tumor benigno localizado na região intracraniana – e deu entrada no dia hospital no dia 26 de outubro com pneumonia. Após passar por procedimento para drenar o tumor, foi diagnosticado com “pneumonia grave generalizada, com risco de morte”, conforme o documento ao qual a reportagem teve acesso.

Segundo o relatório, a entrada do paciente na unidade ocorreu devido à infecção e distúrbios hidroeletrolíticos graves e não por causa do tumor. “Infelizmente não foi possível controlar [a infecção], tendo efeito proibitivo a qualquer transferência ou intervenção neurocirúrgica”, segundo o documento. “Paciente não tinha condições clínicas de sair do hospital enquanto não fosse resolvida a causa infecciosa”, diz o documento do Hospital da Vida.