18 de abril de 2026
Campo Grande 29ºC

SOROCABA (SP)

PM cerca, executa 3 suspeitos e mata até colega de farda (vídeos)

Mesmo sabendo que haveria o assalto à farmácia antecipadamente, a PM esperou o grupo agir para promover as execuções

A- A+

O Policial Militar (PM) Matheus Almeida Rodrigues, de 28 anos, foi executado com um tiro na cabeça na madrugada do sábado (11.abr.26) na Rua André Rodrigues Benevides, bairro Campolim, numa área comercial de Sorocaba (SP).

Segundo apurado pela reportagem do MS Notícias, antes de Rodrigues, uma guarnição da PM tinha cercado e executado um grupo de três suspeitos de assalto a uma farmácia. 

Imagens mostram que o grupo realizar o farmácia, ocasião em que levaram canetas de emagrecimento, eles correram pela calçada e colocaram rapidamente os produtos no porta-malas de um carro usado na fuga. Mas quando iniciavam a manobra na Rua André Rodrigues Benevides para deixar o local, viaturas da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP) chegaram e os policiais desceram atirando.

Em poucos segundos, o que poderia ser uma abordagem virou um cerco com múltiplas viaturas e uma sequência de disparos. O carro foi alvejado e ficou parado no meio da via. Três homens foram executados.

Cerca de 1 minuto depois das execuções, Rodrigues se aproximou dos colegas e caiu atingido na cabeça.

Em seguida o policial foi socorrido pelos próprios companheiros e levado às pressas a um hospital da região, mas não resistiu.

PM JÁ SABIA, MAS NÃO AGIU

Documentos obtidos pela reportagem da Ponte Jornalismo mostram que o assalto não pegou a polícia de surpresa. A corporação já tinha informação prévia de que a farmácia seria alvo naquela noite. O carro usado pelos criminosos havia sido roubado dias antes na região metropolitana de São Paulo e circulava identificado. Ainda assim, nenhuma operação preventiva foi montada para evitar o crime ou interceptar os suspeitos antes da fuga.

O que houve foi uma resposta tardia e violenta.

Para o coronel aposentado da PMESP José Vicente da Silva Filho, ouvido pela reportagem da Ponte Jornalismo, o caso escancara uma falha grave. “Quando há erro na ação policial, alguém morre. Pode ser um inocente ou o próprio policial”, disse.

Com informação prévia e identificação do veículo, seria possível monitorar o grupo e realizar uma prisão em condições mais controladas, reduzindo o risco de confronto armado em via pública. Não foi o que aconteceu.

Inicialmente, a PM alegou que houve confronto, mas não é o que mostram as imagens de segurança e vídeos produzidos por moradores. Confira as imagens:

 

 

SEM CHANCE DE RENDIÇÃO 

Haviam quatro assaltantes no Volkswagen Virtus alvejado. Quando foram interceptados pelas várias viaturas, segundo o único assaltante sobrevivente, um motoboy de 19 anos sem antecedentes criminais, eles iriam se render, mas não houve tempo. 

“O Marcelo [motorista do carro] foi abrir a porta, falar para o senhor que ele rendeu, aí os meninos também. Tudo tava levantando a mão. Foi nessa que, do nada, eu ouvi uns barulhos de disparo, sabe? Uns disparos… aí ficou tudo assim. Aí todo mundo tava tentando sair do carro. Aí os meninos conseguiu, um dos dois [do banco de trás] conseguiu sair. Eu consegui sair por último (sic)”, disse.

“Aí os meninos já… eu não sei se eles já caíram, já saíram do carro já baleado, deitado. Aí eu sei que eu consegui correr um pouquinho, me escondi atrás do muro do prédio. Consegui pular o muro. Aí fiquei escondido no mato. Aí, depois disso, eu vi mais uns dois disparos. Aí eu não sei o que tava acontecendo. Aí eu, depois disso, eu fiquei lá esperando, só esperando os policial aparecer para me pegar lá sentado (sic)".

O sobrevivente alegou ainda que o grupo tinha apenas uma arma falsa, a que usaram para render as vítimas na farmácia.

“Nós tava com arma de brinquedo. De fogo, não tava (sic)".

De fato, nos vídeos os suspeitos não aparecem atirando.

VIOLÊNCIA EXTREMA DA PMESP

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025 ajudam a entender o cenário. Em 2024, 82% das pessoas mortas por intervenções policiais no país eram negras. Entre os policiais mortos, 65,4% também eram negros, em sua maioria soldados e cabos — a base da corporação.

Na prática, isso significa que a política de confronto atinge, de um lado e de outro, os mesmos grupos sociais.

Em Sorocaba, a operação não resultou na identificação de possíveis redes de receptação de medicamentos roubados nem trouxe desdobramentos investigativos relevantes até agora. 

Onze PMs foram afastados e há suspeita de que a execução de Rodrigues tenha sido proposital, para justificar o cerco e execução como confronto.

FONTE: PONTE JORNALISMO