27 de novembro de 2020
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EXEMPLO

Uganda, o país pobre que se isolou e não registra nenhuma morte por Covid-19

Apesar da dificuldade e pobreza a população respeita as medidas de isolamento e salva vidas

Na Uganda, país situado na porção central do continente africano e “cortado” pela linha do Equador, o lockdown foi aplicado de forma muito restritiva e que criou uma situação muito difícil para um país que já vive em grande sofrimento, que está lutando de um ponto de vista econômico, como muitos no continente. Apesar disso, o país não registrou nenhuma morte por coronavírus. Teve apenas 665 pessoas infectadas e 119 já curadas. A população no país é de quase 35 milhões de pessoas.

"Foram certamente medidas necessárias, acredito que o Governo fez bem - especificou – mas a situação social é muito frágil". A população está sofrendo, mas o governo parece se mostrar muito próximo ao povo, com contínuas comunicações pelo rádio a respeito da necessidade de limpeza, e de lavar as mãos. Também foram distribuídas máscaras gratuitas para todos, e também alimentos: feijão, um pouco de açúcar e um pouco de sabão. Mas aqui 80% da economia é informal e por isso o impacto sobre os trabalhadores foi terrível", comentou o doutor Antonio Loro. 

"Na África Oriental não chegamos a 2 mil casos de contágio – disse o médico - e em Uganda a questão é: o vírus está circulando ou existem fatores nessas regiões que o detêm? Minha ideia é que alguma coisa existe - talvez seja descoberta no futuro - e que leva a um contágio muito baixo”. O fato é que não há pesquisas confiáveis, se pensarmos que seriam necessários 450 mil testes para testar 1% da população ugandesa, enquanto os testes realizados até agora estão abaixo de 100 mil, um número muito pequeno.

O problema realmente grande é como impor o distanciamento social nesses países, especialmente em favelas onde isso não é viável. "Os barracos geralmente são de 6 metros por 6 onde moram até 8 pessoas. O distanciamento nestes casos é impensável. No entanto, apesar disso, os números não estão crescendo exponencialmente. O governo tem feito um excelente trabalho - comentou o médico - e a população está muito, muito consciente dos riscos. Fora de cada loja há um lugar onde pode-se lavar as mãos", anoutou. 

Doutor Antonio Loro trabalha em um hospital particular no-profit que “se tornou um farol para toda a região, não apenas em Uganda, pela especialidade em cirurgia plástica e ortopedia”. Foi fundado pela CBM (Christian Blind Mission), uma organização sem fins lucrativos que atua desde 1908 para assistir, cuidar, incluir e dar uma melhor qualidade de vida às pessoas com deficiência que vivem nos países mais pobres. Doutor Loro afirma que “chegam em Campala crianças vindas do Sudão do Sul, Ruanda, Burundi, Quênia, Congo. "Cobrimos talvez 5-10% das necessidades ortopédicas pediátricas nesta área, mas também devemos considerar que as forças no campo de especialistas são muito limitadas e não comparáveis com as da Europa Ocidental". “Somos 50 ortopedistas para toda a população ugandesa de 43 milhões de pessoas. Pode-se imaginar o que podemos fazer. No Sudão do Sul há 3, no Congo 10. É uma montanha de exigências. Já operamos mais de 70.000 crianças nestes dez anos. Muitos deles foram socialmente reintegrados. Muitos voltaram para a escola. O médico explica que o sucesso desta oferta, embora mínimo em relação às necessidades, deve-se ao acesso gratuito (a cirurgia é subsidiada e para as crianças carentes é gratuita) e à disponibilidade econômica graças às doações feitas às organizações internacionais que possibilitaram a compra de materiais e equipamentos adequados".

Fonte: Vaticam News