29 de outubro de 2020
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Frustrados com rendimento, catadores pensam em abandonar trabalho no lixão

Os 12 catadores que desde setembro foram autorizados pela Prefeitura de Sidrolândia a trabalhar no lixão, iniciam 2014, frustrados com o rendimento obtido com a dura jornada diária num ambiente insalubre e cercados de dúvidas sobre a continuidade do serviço.

“Além de não termos certeza se a licença da prefeitura será mantida, a gente pode desistir porque o que a gente ganha, mal da para comer, pagar água e luz”, desabafa a presidente da Associação dos Catadores, Sandra Lescano.

Descontadas as despesas com frete para o transporte do material até Campo Grande onde é vendido à Metap (R$ 300,00 por carregamento), recolhimento do INSS de cada um, gastos com a compra das luvas usadas durante a garimpagem do lixo, em média tem sobrado um salário mínimo para cada trabalhador.

Sandra reclama da concorrência dos catadores que atuam de forma independente, recolhendo de casa em casa, garrafas PET, latinhas de refrigerante e cerveja, caixas de papelão, material vendido nas várias empresas de reciclagem em atividade na cidade.

“Em cada esquina de Sidrolândia há um catador com seu carrinho”, constata. O resultado é que há pouco material reciclável no lixo coletado diariamente na cidade. “Não estamos conseguindo lotar dois caminhões por mês para vender na Capital”, revela.

Não se confirmou a expectativa de um maior faturamento em dezembro, por conta do período de festas, quando há um maior consumo de bebidas. Na prática, porém, este melhor resultado não se concretizou. “Dias destes fica animada com a chegada do caminhão coletor que veio despejar o material recolhido na cidade. Depois de fazer a garimpagem naquela montanha de lixo não conseguiu encontrar uma garrafa PET ou uma latinha, sequer”, relata Sandra.

A situação piorou nas últimas duas semanas, porque foi um período de recesso administrativo, em que a Prefeitura suspendeu a coleta de galhos, entulhos e do lixo reciclável que encontra nas ruas.  Até o trabalho de remoção do material despejado, feito por uma retroescavadeira, foi interrompido. Resultado, uma montanha de lixo que se formou na entrada do lixão, até dificultando o acesso a esteira de separação do material.

Coleta seletiva

Na administração passada o lixo reciclável era explorado pela Solucon, que fazia a coleta, embora não fosse objeto da licitação da qual saiu vencedora para executar esse serviço. Isto gerou um inquérito por parte do Ministério Público que considerou a medida irregular. Chegou-se a calcular em R$ 10 mil o valor de mercado do material.

Sandra Lescano era uma das 21 funcionárias que atuava na separação, classificação e prensagem do material.  “A gente ganhava um salário mínimo e a promessa de um adicional de 30% por insalubridade que nunca foi pago”, lembra.

Houve meses que a venda do material garantiu um faturamento bruto de R$ 16 mil, resultado em boa parte da coleta seletiva iniciada em alguns bairros da cidade. Este projeto não foi mantido pela empresa que assumiu a coleta (a Morhena Ambiental).

Um termo de ajustamento de conduta firmado com o Ministério Público, obriga a Prefeitura desativar o lixão até dezembro, que terá de ser substituído por um aterro sanitário, onde não será permitida a presença de catadores.

Como é um projeto de alto custo, o prefeito Ari Basso avalia a possibilidade de firmar consórcio com Maracaju para implantar (com recursos federais) um aterro sanitário conjunto numa área na divisa entre os dois municípios.

A Prefeitura conseguiu retomar os 50 hectares que foram doados em 2001 para uma empresa instalar uma usina de álcool, projeto que acabou não vingando. Outra alternativa, que o ex-prefeito Daltro Fiuza, considera viável, seria levar o lixo para  Campo Grande e pagar pela utilização do aterro sanitário da Capital.

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