26 de julho de 2021
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YANOMAMIS SOB ATAQUE

Garimpeiros ilegais lançam barco em canoa com crianças e adolescentes indígenas

Ataque de invasores armados aconteceu na tarde de ontem (18.jun.2021), em Terra Indígena Yanomami

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Em Terra Indígena Yanomami, no estado de Roraima, garimpeiros ilegais atacaram crianças e jovens nesta 6ª feira (18.jun.2021), que foram derrubados da canoa pelos invasores.

Segundo informações do portal Brasil de Fato, ao menos seis crianças, com idades entre 10 e 11 anos, além de dois adolescentes, que pescavam pela região do Rio Uriracoera - que fica próximo  à Comunidade Tipolei, na região do Palimiu, foram derrubados pelos garimpeiros armados.

Na ocasião, os invasores aceleraram contra os Yanomami no rio e bateram o barco contra a canoa dos indígenas, o que fez com que fossem jogados na água e sua embarcação afundasse.

Assustados na água, os Yanomami - que fugiram até a Comunidade Yakepraopë - ouviam os garimpeiros chamando por eles, oferecendo bolachas e alimentos.

Diante do fato, mais um ofício (o décimo) foi enviado pela Hutukara Associação Yanomami à FUNAI, à PF/RR, ao MPF/RR e à 1ª Brigada de Infantaria da Selva do Exército (1ª BIS).

Já fazem dois meses que os indígenas pedem socorro, que não conseguem dormir, pescar ou caçar por medo dos ataques que são cada vez mais frequentes.

Vice-presidente da Hutukara Dario Kopenawa Yanomami assina o pedido que implora por segurança. No momento, o governo federal ignora determinação do próprio Supremo Tribunal Federal (assinada pelo ministro Luís Roberto Barroso), que decretou que o governo garantisse a segurança dos indígenas Yanomami e Munduruku.

"Os Yanomami continuam sujeitos aos recorrentes episódios de ataques e hostilidades contra suas vidas. Mais uma vez, reiteramos a urgência que o poder público atue de forma sistemática e permanente para conter a atividade do garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami e garantir a segurança nas comunidades", apontou Dario Kopenawa.

Cerca de 15 comunidades indígenas integram a região do Palimiu (RR). Dessas, quatro já foram alvos de garimpeiros: Maikohipi, Korekorema, Tipolei e Yakepraopë.

Nesta última, em 11 de maio, duas crianças, de um e cinco anos, morreram afogadas ao cair no Rio Uriracoera enquanto fugiam dos tiros de um ataque à comunidade. Logo após esse episódio, um cachorro foi morto a tiros por garimpeiros, como forma de ameaça.

Ameaças são frequentes há quase dois meses (desde 27 de abril), quando os indígenas interceptaram uma carga de quase mil litros de combustível para aeronaves do garimpo.