13 de agosto de 2020
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AQUECIMENTO GLOBAL

Geleiras derretem liberando gases, vírus e revelam ossos de 2,5 milhões de anos

O rápido aumento das temperaturas no Ártico traz efeitos dramáticos

Sue Natali, pesquisadora que estuda os efeitos do degelo do permafrost em decorrência das mudanças climáticas, diz que o rápido derretimento de geleiras na Sibéria, que ela classifica como: "mega desmoronamento" –, forma uma cratera gigante no meio da tundra siberiana.  

A cientista, conversou com a BBC no The Woods Hole Research Center, em Massachusetts, nos EUA, onde trabalha. 

Ela relatou ter visto ‘ossos de mamutes e animais pleistocênico em meio a desmoronamentos, de geleiras que chegam a tamanhos de prédios. Esses seres, Pleistoceno ou Plistoceno viveram na Terra em época que está compreendida entre 2.5 milhões e 11,7 mil anos atrás, sendo pertencente ao Período Quaternário da Era Cenozoica, Éon Fanerozoico.  

Natali descreve os efeitos visíveis e dramáticos do rápido aumento das temperaturas no Ártico. 

O permafrost – solo composto por terra, sedimentos e rochas (até então) permanentemente congelado – está derretendo e revelando seus segredos ocultos. Além de fósseis do Pleistoceno, o degelo está liberando grandes emissões de carbono e metano, mercúrio tóxico, vírus e bactérias causadores de doenças antigas. 

O permafrost, rico em matéria orgânica, contém cerca de 1.500 bilhões de toneladas de carbono, aponta a cientista.   

Ela explica que entre 30% e 70% do permafrost pode derreter antes de 2100, dependendo da eficácia das respostas às mudanças climáticas. 

"70% é se nada mudar, se continuarmos a queimar combustíveis fósseis no ritmo atual, e 30% é se reduzirmos amplamente nossas emissões de combustíveis fósseis", afirma. 

"Na porcentagem que descongelar, seja 30% ou 70%, micróbios vão começar a decompor a matéria orgânica, liberando CO2 ou metano." 

Cerca de 10% do carbono retido no solo que descongelar provavelmente será liberado como CO2 – chegando a aproximadamente 130-150 bilhões de toneladas, o equivalente à taxa atual de emissões totais dos EUA por ano até 2100. 

O derretimento do permafrost equivale a introduzir um novo país como número dois na lista de maiores emissores globais – e que não é levando em conta nas projeções atuais. 

"As pessoas se referem (a este fenômeno) como uma bomba de carbono", afirma Natali. 

"Na escala de tempo geológica, não é uma liberação lenta. É um reservatório de carbono que está ‘trancado’ e não é contabilizado no cálculo de carbono para manter o aumento da temperatura abaixo de 2°C." 

O inverno do Hemisfério Norte de 2018/2019 foi marcado por manchetes sobre o "vórtice polar", à medida que as temperaturas despencaram drasticamente no sul da América do Norte. A temperatura em South Bend, no Estado americano de Indiana, chegou a -29°C em janeiro de 2019, quase o dobro da temperatura mínima anterior registrada na cidade em 1936. 

O que a maior parte destas notícias não mostra, no entanto, é que o oposto estava acontecendo no extremo norte, além do Círculo Polar Ártico. 

FONTE: VEJA AQUI A REPORTAGEM COMPLETA DA BBC NEWS.