20 de junho de 2021
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Personalidade

Globo elege Sérgio Moro o brasileiro do ano em 2014

Dois anos atrás, foi Joaquim Barbosa

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Jornal dos irmãos Marinho elege o juiz paranaense Sérgio Moro, que conduz a Operação Lava Jato, como a personalidade de 2014; numa solenidade no Rio, ele irá receber em breve o prêmio "Faz Diferença", concedido pela publicação, o mesmo que foi entregue ao então ministro Joaquim Barbosa, à época do julgamento da Ação Penal 470; embora seja bem mais discreto do que Barbosa, Moro percorre o mesmo caminho, que transforma juízes em celebridades; jurados foram os jornalistas Merval Pereira, Miriam Leitão, Ascânio Sêleme, Ancelmo Gois e Aluzio Maranhão, do Globo, além do presidente da Federação Industrial do Rio de Janeiro, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira

Dois anos atrás, foi Joaquim Barbosa. Agora, é a vez de Sergio Moro. Se em 2012, o então ministro Joaquim Barbosa, que conduzia, no Supremo Tribunal Federal, o julgamento da Ação Penal 470, foi eleito pelo jornal O Globo como personalidade do ano, o troféu será passado agora ao juiz paranaense, responsável pela Lava Jato.

Embora Moro seja bem mais discreto do que Barbosa, ele receberá, em breve, no Rio de Janeiro, o troféu "Faz Diferença" das mãos de João Roberto Marinho, editor-responsável pelo jornal O Globo, que, nos últimos anos, tem se notabilizado pela oposição ferrenha aos governos petistas. Moro foi escolhido numa eleição que teve como jurados os jornalistas Merval Pereira, Miriam Leitão, Ascânio Sêleme, Ancelmo Gois e Aluzio Maranhão, do Globo, além do presidente da Federação Industrial do Rio de Janeiro, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira.

A questão que se coloca, com o prêmio, é se a transformação de juízes em celebridades ou "heróis nacionais" não contribui para decisões menos técnicas – e, eventualmente, mais populistas, em prejuízo do direito de defesa. Executivos de construtoras, por exemplo, estão presos há mais de dois meses, sem que tenham sido sequer condenados em primeira instância, embora o ordenamento jurídico brasileiro garanta aos réus primários o direito de se defender em liberdade e a presunção de inocência.

Para a reportagem de Cleide Carvalho sobre o prêmio, publicada neste sábado, Moro, aparentemente, não concedeu entrevista. Há apenas uma aspa atribuída a ele. "Não sou o Christopher Reeve (ator que interpretou o Super-Homem), mas eu não minto", teria dito ele a interlocutores, quando questionado sobre os frequentes vazamentos da Operação Lava Jato.

Para O Globo, Moro já é bem mais do que Christopher Reeve.