Após cerca de 7h de tentativas de negociação, a Polícia Federal (PF) deixou a sede do Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul (DSEI-MS), nesta 3ª feira (30.jun.26), em Campo Grande (MS).
As três viaturas que estavam no local desde as 9h da manhã passaram a deixar a unidade por volta das 15h, sem que tivesse havido sucesso na desocupação do prédio.
Nas primeiras horas da manhã, os indígenas invasores tomaram o prédio e expulsaram os servidores que nele estavam.
(30.jun.26) - Servidores são expulsos do DSEI por grupo de indígenas invasores. Foto: Tero QueirozComo explicamos mais cedo aqui no MS Notícias, o grupo é composto por indígenas ligados a políticos de direita e até filiados a partidos de extrema direita no Estado.
Além de reivindicar cargos do baixo escalão, o grupo cobra que seja "trocada" a coordenação do DSEI, no momento chefiada por Lindomar Ferreira da Silva, conhecido apenas como Lindomar Terena.
Cartazes colados em frente ao portão da sede indicam esses desejos, sob a argumentação de que o grupo "não teve direito à escolha" do chefe do DSEI.
INVASÃO ORQUESTRADA E COM VANTAGENS
(30.jun.26) - Grupo de indígenas invasores segue ocupando o prédio e passou o dia em ambiente com ar-condicionado. Foto: Tero QueirozA reportagem não conseguiu descobrir se havia profissionais de segurança na unidade antes da ocupação do prédio.
A suspeita inicial é de que a invasão tenha sido "orquestrada" e contou com repasse de informações privilegiadas ao grupo. Isso porque, conforme apurou o MS Notícias, dentro da unidade estão "presas" uma frota de dezenas de caminhonetes que seriam retiradas justamente nesta terça-feira e entregues às lideranças de aldeias por todo o Estado.
Antes que os veículos pudessem ser retirados, os invasores chegaram e tomaram a unidade.
E, de fato, do lado de fora do DSEI, diversos motoristas e servidores aguardaram ao longo de todo o dia para saber se poderiam cumprir a retirada dos veículos ou mesmo seus expedientes.
(30.jun.26) – Servidores e motoristas do DSEI passaram todo o dia aguardando uma resolução para a invasão da sede do DSEI-MS por indígenas. Foto: Tero QueirozA expectativa era de que, cercados, os invasores aderissem à negociação. Porém, o grupo contou com a vantagem de que a energia do local não pode ser cortada, já que há, nos depósitos do DSEI, diversos medicamentos que iriam estragar caso a temperatura não fosse mantida. Sendo assim, os indígenas invasores aguardaram por todo o dia em salas com ar-condicionado.
(30.jun.26) - Delegado da Polícia Federal tenta negociação com indígenas invasores da sede do DSEI-MS, em Campo Grande. Foto: Tero QueirozPara "atender suas demandas", os indígenas invasores aguardavam que comparecesse ao local o presidente estadual do Partido dos Trabalhadores (PT-MS) e deputado federal, Vander Loubet.
Com diversas agendas marcadas para esta terça, porém, o deputado não havia comparecido ao local até as 15h30, quando a reportagem deixou o prédio.
APOIO AO ATUAL COORDENADOR
(30.jun.26) - Lindomar Terena, durante a invasão da sede do DSEI-MS por indígenas, na manhã desta 3ª feira. Foto: Tero Queiroz.Por meio de vídeo, Lurdelice Moreira Nelson, atual presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena de Mato Grosso do Sul (CONDISI-MS) — instância de controle social do Distrito Sanitário Especial de Saúde Indígena de Mato Grosso do Sul (DSEI-MS) — declarou que o grupo invasor atua na defesa de interesses de uma minoria.
"O que está acontecendo no Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul. A saúde indígena passa pelo crivo dos Conselhos Distritais de Saúde Indígena. É o controle social que tem legitimidade para discutir e deliberar sobre qualquer irregularidade dentro do distrito. O que estamos vendo hoje é uma manifestação promovida por uma minoria de lideranças. A gente sabe que tem problemas, sim, mas a maneira como eles querem fazer, a gente não concorda. Não pode ser prejudicada a maioria da população indígena de Mato Grosso do Sul por manifestações de minorias", disse Lurdelice.
Sobre a atual gestão, Ludelice reafirmou o apoio do controle social ao coordenador distrital.
"Nós estamos com o Lindomar. Teve vários investimentos significativos e mudanças que impactaram diretamente a saúde indígena dentro dos territórios. Isso é indiscutível. Nós estamos com o Lindomar pelo trabalho que ele tem desenvolvido com a comunidade indígena de Mato Grosso do Sul. É essa atuação que o controle social defende", completou.
PRÓXIMOS PASSOS
(30.jun.26) - PF deixou a DSEI invadida por indígenas opositores a Lindomar Terena. Foto: Tero QueirozAinda segundo levantamento no local, a PF foi orientada a retornar para a base e aguardar o mandado judicial de desocupação, que pode sair a qualquer momento.
Se atendido na íntegra, o pedido daria aos federais a segurança jurídica para retirar os invasores à força do prédio público.











