23 de outubro de 2020
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Mister Gay Brasil rebate vereadores e pede a eles mais respeito

Clayton Neves

O douradense Carlos Gabriel, vencedor do concurso Mister Brasil Diversidade afirmou na tarde de hoje ser favorável a todas as manifestações democráticas, contudo, o mister ressalta a importância e a necessidade de ser mantido o respeito entre os cidadãos.

Hoje pela manhã os ânimos se alteraram no plenário da Câmara de Vereadores em Campo Grande no momento em que entrou em votação a entrega de uma moção de congratulação para o douradense, eleito o gay mais bonito do País. Contrários à entrega da homenagem alguns vereadores usaram a tribuna para expor suas ideias pessoais, foi o caso do vereador Alceu Bueno (PSL) que disparou “Não é uma honra e nem orgulho para a cidade de Dourados ficar exportando gays”, afirmou.

Sobre o ocorrido Carlos Gabriel usou o bom senso. “A atitude deles me admirou, principalmente pelo fato de serem porta-voz da sociedade, porém, eles tem o direito de dizer o que pensam”, disse. O mister, que aparentemente já se acostumou com as divergências de opiniões ao seu respeito ressaltou ainda, à importância da boa convivência  entre os cidadãos independente dos segmentos que eles representam. “Sinceramente não tinha a necessidade de fazer tudo o que foi feito, independente de opiniões, assim como eu respeito, eles também devem me respeitar, afinal, ninguém gosta de ser alfinetado”, pontua.

Para Joatan Loureiro, Presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), a atitude dos vereadores só mostra que o país ainda precisa investir na educação e conscientização da população em geral. “É lamentável que uma autoridade pública dê uma declaração desse nível, eles deveriam dar o exemplo e respeitar as pessoas. É triste ver que o Brasil ainda está num nível desses, é por isso que devemos analisar muito bem quem escolhemos para nos representar”, relata.

Julio Valcanaia, presidente da Comissão da Diversidade da OAB analisa o fato ocorrido pela manhã na Câmara de vereadores como um avanço na democracia, tendo em vista a liberdade de ambas as partes em expor suas ideias, em contrapartida, Julio vê as declarações como preconceituosas e infundadas. “A principio é triste constatar o tamanho do preconceito e falta de informação das pessoas que estão dentro de uma Casa de Leis representando a sociedade, por outro lado é positivo na medida em que a democracia admite essa discussão, tempos atrás esse tema nem entraria em debate”, afirma.