24 de julho de 2024
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A crise ‘Olarte’ põe em risco futuro dos vereadores

As atitudes tomadas eram normais nos tempos da falta de memória eleitoral, mas agora na política do tempo real das redes sociais o futuro dos vereadores está em xeque.

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Duas pesquisas ‘não oficiais’ fizeram acender a luz vermelha e soar os alarmes na Câmara Municipal de Campo Grande. O motivo é que em ambas a porcentagem de desaprovação da Casa e dos vereadores, de uma forma geral, é altíssima, coisa para além dos 80%. E respinga em todos. Se o principal fator para tão alta desaprovação é a noção de golpe nos eleitores pela cassação de Alcides Bernal e a consequente blindagem do prefeito empossado por eles, Gilmar Olarte (PP por liminar), por outro as discussões acirradas durante as sessões entre oposição e base aliada ao prefeito estão sendo consideradas um circo que extrapola o bom senso.

O sinal está amarelo para os vereadores oposicionistas, mas vermelho gritante para os defensores ferrenhos do prefeito e vermelho opaco para aqueles que, por estratégia, têm preferido se ausentar quando assuntos mais espinhosos são discutidos. O único que parece não se afetar é o líder interino do prefeito idem, Edil Albuquerque (PMDB), que deve ir a reboque de alguma candidatura, na condição de vice. Nesse caso é preciso avaliar o grau do desgaste de Edil ao final desse tsunami político.

A situação tem preocupado o presidente da Câmara, Mario Cesar (PMDB), que tem pretensões de lançar-se candidato à Prefeitura, e sofre com este desgaste tanto quanto com a falta de rumo de seu próprio partido. O PMDB municipal, que capitaneado pela vereadora Carla Stephanini, vai na corrente da independência em relação à gestão municipal, enquanto outros vereadores nadam na corrente da independência em relação à direção municipal e se mostram mais ligados ao líder Edil quando a questão é proteger o governo municipal que abriga e acalenta em suas secretarias e demais órgãos, amigos e correligionários.

A própria indecisão em relação à instauração da Comissão Processante demonstra excesso de cautela, bem como o fato de haverem emplacado como relator da CPI o vereador Airton Saraiva (DEM), que se porta como um líder extra-oficial do prefeito Olarte.

Pesquisas internas, diferente das pesquisas plantadas em épocas eleitorais, costumam ser sérias, e todos sabem disso. Agora, o momento é debruçar-se sobre os números negativos apresentados pelas pesquisas e traçar uma estratégia salvadora. Hoje já não se discute derrubar Olarte e assumir os destroços municipais com a tarefa de arrumar a casa nestes 18 meses que restam. Vai além, muito além. A questão maior a ser respondida é como deixar o executivo no processo de fritura sem deixar que o eleitorado perceba que a frigideira é a Câmara Municipal? Tarefa para políticos de estirpe, que no momento, se existirem, são raros.