12 de junho de 2021
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Editorial

Funcionários da Reme em paralisação, secretária entrega cargo, e o prefeito, de braços cruzados?

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Na última terça-feira, dia 28 de abril, o prefeito de Campo Grande Gilmar Olarte entregou parte dos kits escolares a alunos da Reme (Rede Municipal de Ensino) em comemoração aos 100 mil alunos matriculados, número considerável para um capital que beira R$ 1 milhão de habitantes.

Durante solenidade, Olarte defendeu investimentos em educação, porém, na mesma semana ele anunciou corte de contratos com professores lotados na Semed (Secretaria Municipal de Educação) que trabalhavam 20 horas a mais do tempo previsto em concurso para desenvolver atividades no Cefat (Centro de Treinamento de Ginástica Artística de Campo Grande), com isso, 78 crianças, entre 18 meses e 4 anos, estarão sem aulas a partir de amanhã. Os professores tentavam negociar com secretária municipal de educação, Angela Maria de Brito, que estava de férias, e no retorno do descanso, se reuniu com prefeito na noite de ontem e entregou o cargo.

Em entrevista à imprensa, Angela explica que decidiu se desligar da secretaria por questões técnicas. A ex-secretária alegou ser impossível trabalhar com a atuais condições estabelecidas pelo prefeito na educação. Segundo ela, Olarte está na "contramão", pois houve aumento de aluno da Reme, número comemorado por ele, mas, ao invés de contratar mais professores e administrativos, o prefeito está demitindo.

Houve também, o corte dos educadores dos Ceinfs (Centro de Educação Infantil), que deveriam ter contrato rescindido em agosto, porém, dia 22 de abril, foram surpreendidos com demissão e os alunos dos Ceinf que agora deve atuar como escola e não como creche assistencialista que simplesmente abriga crianças, continuam em uma creche, pois eram esses educadores que desenvolviam os projetos educacionais e pedagógicos. 

Hoje, os 100 mil alunos da Reme não foram à aula, pois os funcionários administrativos, cansados de conversar, pedir, negociar melhores condições de trabalho, resolveram fazer uma paralisação das atividades para advertir o prefeito. Alguns funcionários denunciaram ao MS Notícias que sequer material de escritório a Prefeitura tem entregado. Cartolinas, canetas, papel sulfite, há meses são adquiridos pelos funcionários.

E o prefeito? Hoje, dificilmente, será possível vê-lo. Segundo assessoria, Olarte não possui agenda pública e não há ainda previsão de quando ele se pronunciará sobre pedido de exoneração de Angela Brito, que leva consigo o secretário adjunto Osvaldo Miranda. O secretário de governo e relações institucionais, Rodrigo Pimentel, também não sabe de nada. Procurado pelo MS Notícias, Pimental não respondeu quem será novo secretário nem se o Prefeito possui algum nome. De fato, será difícil a Olarte encontrar alguém sério que aceite trabalhar nas condições impostas por ele.