29 de novembro de 2020
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BOLSONARISMO

Bolsonaro nunca quis pagar o auxílio-emergencial e diz que R$ 600 é 'muito'

O governo tenta evitar que o Congresso Nacional vote a Medida Provisória nº 1.000, que institui o valor de R$ 300 até dezembro

Após reduzir em 50% o valor do auxílio-emergencial em sua extensão, o presidente Jair Bolsonaro sinalizou, ontem 2ª-feira (19.out) que não pretende ceder à pressão política e popular para aumentar valor. Ele afirmou que o valor de R$ 600 “é muito para o Brasil”.  “Sei que os R$ 600 são pouco para quem recebe, mas é muito para o Brasil, dá R$ 50 bilhões por mês. Tem que ter responsabilidade para usar a caneta Bic aí. Não dá para viver, ficar muito tempo mais com este auxílio porque, realmente, o endividamento nosso é monstruoso", disse o presidente confortável na porta do Palácio da Alvorada, em Brasília (DF) apenas à apoiadores radicais. 

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), tem feito manifestações de resistência à continuidade do benefício com o valor reivindicado. Nesta 2ª, após uma reportagem da CNN indicar que ele não seria contrário à manutenção do auxílio, Maia negou a informação e recuperou o discurso do ajuste fiscal. “Eu não disse isso. Já deixei claro publicamente que sou contra a prorrogação do decreto de calamidade e que é preciso encontrar uma solução dentro do Teto de Gastos”, disse.

“Esse jogo vem sendo jogado desde sempre. Se a gente pegar o histórico do auxílio, a gente vê que o governo vem jogando com as pessoas, até por sobrevivência. É sempre importante a gente dizer que o governo nunca quis os R$ 600 nem os R$1.200 [duas cotas] pra mães solo. Ele lutou até o último minuto pra que não fosse esse valor”, relembra a diretora de Relações Institucionais da Rede Brasileira de Renda Básica, Paola Carvalho.

O governo tenta evitar que o Congresso Nacional vote a Medida Provisória nº 1.000, que institui o valor de R$ 300 até dezembro. Por ser uma MP, o texto tem efeitos imediatos, o que faz com que o auxílio já tenha entrado em vigor sem a anuência do Legislativo. Nos bastidores, a estratégia do governo é escapar de um eventual aumento da quantia, já que o parlamento tem a prerrogativa de fazer esse tipo de alteração.

A demanda pelo aumento do valor encontra apoio em parlamentares de diferentes siglas, mas a batalha se concentra nos partidos mais próximos da esquerda, que são PT, PSB, PDT, Psol e Rede.

Fonte: Brasil de Fato.