27 de julho de 2021
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Candidatura de André empurra Azambuja e anima projeto Dilmista

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A pré-candidatura do governador André Puccinelli (PMDB) ao Senado já não depende mais das circunstâncias externas. É uma decisão pessoal pensada e que para tornar-se oficial só precisa otimizar-se no custo-benefício da conjuntura política e partidária em que ela se manifestará. Estão em jogo o futuro do Estado na próxima administração e a sorte dos seus correligionários e aliados de primeira e de última hora.

Até quatro de abril – prazo máximo de afastamento de detentores de cargos públicos que concorrerão a mandatos eletivos - o tempo é curto e o italiano nunca foi de assumir aventuras desse jaez a toque de caixa. Se fosse unicamente por uma vontade pessoal, vaidade ou – como sugerem alguns – pelo socorro da imunidade, certamente o governador já estaria pedindo votos e passando à sua vice, Simone Tebet, os segredos e manhas para levar a cabo os oito meses que restariam deste mandato governamental.

Não. Quem analisar friamente, sem paixão, e com conhecimento de causa, verá que a candidatura de André Puccinelli a senador não se iria amparar em vaidade pessoal ou por um projeto carreirista, bases muito frágeis dentro de um cenário tão complexo. A perspectiva de concluir tranquilamente seu segundo mandato no Governo seria bem mais tranquila e confortável. Sairia de cena para aposentar-se no auge, como fizeram Pelé e outros craques que sentiram a hora certa de parar.

COMPROMISSO E AFETIVIDADE - André Puccinelli move-se pelo instinto e pela inteligência, mas permanecer em cena é também, e principalmente, uma questão de afirmação de compromisso e de afetividade. Compromisso com um projeto político mais amplo e que transcende aos interesses locais. E afetividade pela cobertura que, na condição de um pouco líder e um pouco “pai”  sente que deve fornecer a seus companheiros.

O PMDB, descontados os solavancos de praxe, permanece na base de apoio ao governo federal. No Senado, pode tornar-se peça importante na engrenagem que, mantidas as pesquisas, funcionará a serviço de um segundo mandato da presidenta Dilma Roussef. Ela necessitará, e muito, de uma bancada forte e majoritária no Congresso Nacional para resistir à pressão oposicionista e ter a tão essencial governabilidade. Assim, o peso de um senador do minúsculo Mato Grosso do Sul terá na base dilmista peso equivalente ao de um colega de São Paulo ou da Bahia. Isto se, conforme o quadro, a presidenta resolva, enfim, levar um sul-mato-grossense para um de seus ministérios.

Com André Puccinelli nas ruas pedindo votos para si e para seus candidatos, os adversários terão um motivo cabal para preocupações, especialmente o PSDB que põe hoje suas fichas na candidatura do deputado federal Reinaldo Azambuja ao Senado. Ocorre que essa intenção só se manifesta no caso de uma parceria com o PT: em troca de apoio à candidatura de Delcídio Amaral ao Governo, Azambuja teria o apoio dos petistas numa aliança branca, ou seja, o PT deixaria de lançar candidato ao Senado ou registraria o chamado “concorrente laranja”.

O IMPROVÁVEL - A solução tucano-petista vem a ser teoricamente engenhosa. Conceitualmente, engrandecedora. Na prática, totalmente improvável. A grandeza do gesto político de aproximação local entre dois adversários nacionais não basta. Azambuja teve a chance de deixar o ninho tucano e abraçar, talvez PSB ou PDT, para ajustar-se ao plano que agora tenta executar com os petistas. Permaneceu no PSDB e no PSDB é obrigado a confessar sua fidelidade ao projeto nacional de oposição sistemática ao PT e a Dilma, de reverberar a ensurdecedora e colérica gritaria anti-Dilma, de fazer coro à cantilena estigmatizadora dos chamados mensaleiros e, por fim, de subscrever o abaixo-assinado que propõe a CPI da Petrobras, que tem exatamente o senador Delcídio entre seus alvos.

Com a CPI do “caso Pasadena”, Azambuja passa a perfilar no mesmo time em que se aloja outro detrator de Delcídio, o senador Renan Calheiros, do PMDB de André Puccinelli. Em síntese: Azambuja e Delcídio conversam e trocam afagos, mas de aliança política a relação não tem futuro. Restariam ainda a Azambuja três opções: enfrentar Puccinelli na corrida ao Senado, buscar a reeleição de deputado federal ou inscrever-se na disputa pelo Governo.  A primeira opção é improvável. Em princípio, seria um “suicídio” político. Restariam as outras duas saídas para continuar com as chances de ser um dos fortes concorrentes à Prefeitura de Campo Grande em 2016.

No frigir dos ovos, e para dar melhor sabor ao processo eleitoral guaicuru, este provável omelete: Delcídio (PT), Nelsinho Trad (PMDB), Murilo Zauith (PSB) e Reinaldo Azambuja (PSDB) brigando pelo trono principal, na Governadoria. A vantagem continua com o petista, mas os cuidados e a cautela agora devem ser redobrados. E quem quiser ver, que veja: as circunstâncias pavimentaram e encurtaram o caminho de Puccinelli.

Edson Moraes, especial para MS Notícias