25 de setembro de 2020
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Com votação do SIM adiada, agricultores lamentam atraso de um sonho

Os agricultores e integrantes de movimentos sociais que estiveram na Câmara Municipal na manhã de hoje para acompanhar a votação do projeto de lei que regula o SIM (Selo de Inspeção Municipal) chegaram cheios de sonho e saíram revoltados. O projeto enviado pelo executivo entrou na pauta da sessão, mas não pode ser votado por falta de quórum dos vereadores.

José do Nascimento, 55, conta que foi à Casa de Leis batalhar pelo seu futuro. Residente no Mario Covas – região leste de Campo Grande – o trabalhador afirmou que sonha em plantar e vender sua própria produção. “Vim da fazenda e em fazenda quero morrer”, afirmou.

Maria Barbosa dos Santos, 58, e Darci Alves Barbosa, 60, pretendem participar de cooperativas e estiveram na sessão para demonstrar apoio aos vereadores. “A gente precisa de mudança e queremos que eles confiem em nós”, afirma Darci.

Para o pequeno produtor Pedro Paulo Martins, 62, o SIM seria uma conquista para a feira orgânica e para todos que sobrevivem da agricultura familiar. “Trabalho com isso desde o ventre da minha mãe. Já ouvia os bezerros mugindo. Em primeiro lugar beneficia pela questão da legalidade porque vendemos clandestinamente e não há a identidade de quem vem o produto para o consumidor. E com o selo não vai ter atravessador e o preço sairá mais barato para o consumidor”, explicou.

Apesar da garantia de vários vereadores que prometeram vota a favor do projeto, apenas 13 se mantiveram no plenário na hora de votação. As pessoas que assistiam reagiram ao adiamento da votação com vaias e gritos de “palhaçada”, “vamos responder nas urnas”. Eles prometem retornar na quinta-feira quando o projeto deve ser apreciado.

Serviço: As feiras orgânicas funcionam no período diurno toda quarta-feira na Praça do Rádio Clube, e aos sábados no pátio da Prefeitura, ambos localizados na Avenida Afonso Pena.

Diana Christie