05 de agosto de 2020
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Bernal terá que conquistar dez vereadores até quinta-feira para escapar da cassação

A Comissão Processante que investiga possíveis irregularidades na administração do prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP), entregou na manhã de hoje à mesa diretora da Câmara Municipal o relatório final dos trabalhos pedindo pela cassação do chefe do executivo. No ato, o presidente da mesa, vereador Mario Cesar (PMDB) marcou a sessão de votação da cassação para próxima quinta-feira às 8h.

O relatório escrito pelo vereador Flávio César (PT do B) e aprovado por unanimidade pela Comissão Processante contém 104 páginas. Nele, os vereadores alegam irregularidades como “desrespeito à ordem cronológica dos pagamentos”, “contratos viciados”, “falta de planejamento administrativo” e “emergência fabricada” nas contratações das empresas Salute, Jagás e Megaserv.

“Tentar culpar todos os secretários da prefeitura pelos erros da administração é uma atitude covarde do denunciado e também uma confissão de culpa”, declarou Flávio César. O parlamentar ainda apresentou uma ata indicando a reunião realizada hoje pela manhã para provar que a comissão processante, segundo ele, cumpriu todos os ritos determinados pelo decreto-lei 201/1967 que regulamenta CPIs (Comissão Parlamentar de Inquérito) e comissões como a Processante.

De acordo com Mário César, a sessão de julgamento precisa ter no mínimo dois terços dos vereadores presentes para ser realizada e todos têm direito a voto. Defesa, denunciantes e os vereadores vão dispor de 15 minutos para fazer suas considerações finais antes da votação. “É um marco dos 114 anos da Capital que acredito, ninguém queria estar vivenciando”, finalizou.

Julgamento Parcial:

Segundo o vereador Edil Albuquerque (PMDB), presidente da Comissão Processante, as acusações feitas pelo prefeito na tarde de ontem sobre o suposto superfaturamento do contrato com a Total por parte da administração de Nelson Trad Filho (PMDB) não interferiu de forma alguma na decisão tomada hoje pela comissão. Edil acrescentou que houve má interpretação por parte de Bernal em relação ao teor do documento apresentado pelo prefeito. “Ele (Bernal) informou de forma errada. Aquele papel é apenas a homologação do processo licitatório. A licitação havia sido feita. Ele não pode argumentar uma coisa que ele não sabe”.

Diana Christie