27 de janeiro de 2022
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ELEIÇÕES 2022

Efeito Lula avança e turbina candidaturas aliadas nos Estados

Fenômeno pode trazer novidades na flutuação das intenções de voto em MS

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Com a liderança consolidada do ex-presidente Lula em todas as pesquisas de intenção de voto, o cenário das disputas estaduais começa a apresentar significativas flutuações no jogo das pré-candidaturas que devem concorrer aos governos locais. Se em estados do Nordeste esta situação é considerada normal, tendo em vista a reconhecido popularidade do petista nesta região, já não se pode ignorar o avanço dos aliados do ex-presidente nas pesquisas com eleitores do Sul e Sudeste.

Este fenômeno é tratado como "efeito Lula", que surgiu em 2002, quando o sucesso do governo lulista alavancou candidaturas vitoriosas de petistas e aliados em diversos estados, em muitos deles derrubando favoritismos. As recentes pesquisas sinalizam a possibilidade concreta de que semelhante situação começa a emergir neste final de 2021 em vários estados, incluído Mato Grosso do Sul.

Na disputa presidencial de 2018, São Paulo foi uma das trincheiras de maior eficácia para fazer o contrapeso ao Nordeste, contribuindo decisivamente na vitória de Jair Bolsonaro sobre Fernando Haddad (PT), que era o candidato de Lula. Naquele ano, grande parte dos eleitores do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) deram seus votos para Bolsonaro, movidos pela disputa feroz entre petistas e tucanos na história política do Estado.

Agora, no entanto, além da proximidade cada vez maior entre Alckmin e Lula, outras conjunturas localizadas transformam esse panorama. Todas as pesquisas de intenção de voto que mostram Lula distanciando-se de seus adversários, e abrindo a chance de liquidar a sucessão presidencial já no primeiro turno, mostram também que os pré-candidatos do PSDB e PT, Alckmin e Haddad, polarizam a preferência do eleitorado. É um contexto que se reforça com a crescente possibilidade de o ex-governador trocar o projeto estadual por um nacional, como candidato a vice-presidente na chapa do ex-presidente.

O TABULEIRO

Lula e Zeca no tabuleiro da política em 2022. Foto: Reprodução Lula e Zeca no tabuleiro da política em 2022. Foto: Reprodução 

Pesquisa DataFolha de setembro deste ano aponta Alckmin liderando a sucessão paulista, com 26% das intenções de voto, seguido por Haddad, com 17%. Num cenário sem o tucano, o petista surgir na frente, com 23%. O preferido de Bolsonaro, o ministro Tarcísio de Freitas, de Infraestrutura, estava nessa pesquisa com 4%, bem atrás dos primeiros - Márcio França (PSB) aparecia com 15% e Guilherme Boulos (Psol) em seguida, com 11%.

Na Bahia, a liderança do senador e ex-prefeito de Salvador, Antonio Carlos Magalhães Neto já deixou de ser tão folgada como era até o primeiro semestre. De acordo com dados do Paraná Pesquisas, com o apoio do ex-presidente Lula (PT), o senador Jaques Wagner sai da segunda colocação e empata com ACM Neto (União Brasil), apoiado pelo ex-juiz Sérgio Moro (Podemos). Wagner saltou de 23% para 36,8%. ACM, com 36,6%, está 0,2 pontos percentuais atrás, mas num patamar de empate técnico.

No Rio Grande do Norte, a governador petista Fátima Bezerra vê as pesquisas consolidando sua liderança e reforçando a tendência de conquistar mais quatro anos de mandato, ao mesmo tempo que turbina a expectativa de reeleição para o senador Jean Paul Prates (PT). São resultados colados no "efeito Lula", de acordo com os analistas políticos do Estado.

Em Mato Grosso do Sul, o ex-governador Zeca do PT pode ser o grande beneficiário dessa onda. Ele aparece bem nas pesquisas realizadas até aqui, embora os primeiros lugares estejam dominados pelas intenções de voto para o ex-governador André Puccinelli (MDB), o prefeito campo-grandense Marquinhos Trad (PSD), Zeca surge em 3º lugar, seguido pela deputada federal Rose Modesto (PSDB). 

Uma pesquisa divulgada durante a semana surpreendeu os políticos e observadores sul-mato-grossenses, trazendo Marquinhos na liderança, à frente de Puccinelli e Zeca. Para aliados do próprio prefeito, que torcem por sua candidatura e desejam vê-lo governando o Estado, essa amostragem não é ainda o indicador definitivo para fazer esta caminhada, sobretudo se não levar em conta o peso político e eleitoral e a capacidade de disputa dos demais concorrentes.