05 de maro de 2021
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Em clima de festa, PSDB filia 1.600 e confirma força de pré-candidata

Nomes não faltam no PSDB para representar o partido na disputa pela Prefeitura de Campo Grande. Ao menos nove tucanos estariam hoje politicamente habilitados para reivindicar a indicação partidária e o apoio do governador Reinaldo Azambuja: a vice-governadora e Secretária de Direitos Humanos, Assistência Social e Trabalho, Rose Modesto; os deputados estaduais Beto Pereira, Felipe Orro, Mara Caseiro e Rinaldo Modesto; o deputado federal Eliseu Dionísio; o vereador João Rocha; e os secretários Eduardo Riedel (Gestão Estratégica) e Carlos Alberto de Assis (Administração).

O panorama, porém, e considerada a escala de competitividade, revela que a cada dia fica mais visível a tendência de a escolha recair na vice-governadora. Sinais bastante sintomáticos estão reforçando essa hipótese, a começar de pesquisas de intenção de voto qualitativas e quantitativas, encomendadas para consumo interno, nas quais o nome de Rose Modesto está, de longe, no topo da preferência.

Na noite de quinta-feira (31) mais um indicativo desenhou a possibilidade. No ato de filiação de 1.600 novos tucanos, a numerosa plateia que fez da Câmara de Vereadores um ninho azul-amarelo testemunhou o apelo vigoroso e a capacidade de mobilização pela pré-candidatura de Rose. Todas as opções do partido para a sucessão municipal estavam presentes, mas somente ela e Assis tinham torcidas organizadas. A de Rose, mais numerosa e mais barulhenta.

Mas não foi o ruído das claques o detalhe determinante para revelar para que lado está pendendo a balança do PSDB. Foi a representatividade das forças políticas e sociais já engajadas na pré-campanha pela indicação de Rose. Seu nome era aclamado a plenos pulmões por lideranças do movimento comunitário, dirigentes de diversas entidades organizadas, ativistas das agendas de gênero e raça, desportistas, mobilizadores dos meios artístico-culturais, militantes da agenda LGBT e muitos representantes religiosos, notadamente evangélicos.

O governador reconheceu o impacto da disputa interna que começa a ser travada pela indicação da chapa majoritária. Está ciente que possui dois bloco de alternativas, um formado por Rose, Riedel e Assis, e outro pelos recém-chegados ao ninhal (Beto, Mara e Felipe), com espaço para outras possibilidades, as quais incluem Rocha e Dionísio. Azambuja procurou manter-se equidistante ao discursar. Preferiu destacar o poderio político e eleitoral de uma legenda que dispõe de tantos quadros capazes de entrar num enfrentamento eleitoral dessa dimensão.

Num cenário como o que se delineia, o PSDB viverá nos próximos dias um ambiente de disputa interna mais intensa, mas sem o risco da quebra de unidade. Azambuja exerce com total firmeza e serenidade o seu papel de líder maior da sigla e sabe que precisará do máximo discernimento para conduzi-la e arquitetar a melhor e mais inteligente estratégia na construção das chapas e na escolha dos nomes.

Os pretendentes comungam da mesma avaliação e têm consciência do papel que cada um pode e deve representar nesse momento que é de afirmação da perspectiva de hegemonia política do PSDB, clareada em 2012 com a candidatura de Azambuja a prefeito (quase surpreendeu os favoritos e quase chegou ao segundo turno em Campo Grande) e ratificada em 2014, quando ele derrotou PMDB e PT, que eram os grandes favoritos na sucessão estadual. Este ano, o primeiro maior desafio será fazer o sucessor de Alcides Bernal e conquistar a Prefeitura da capital, o maior colégio eleitoral de Mato Grosso do Sul. O segundo, com igual dimensão ao do primeiro, é o projeto de garantir a bandeira tucana no mastro das principais prefeituras do Estado.