24 de setembro de 2021
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'AMPLA REFORMA'

Ernesto Araújo é novo alvo para troca de ministros por pressão de aliados

Após Queiroga assumir a pasta da Saúde, fraco desempenho do ministro das Relações Exteriores coloca o cargo "em xeque"

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Diferente dos atos públicos extravagantes, como o aniversário de Bolsonaro - celebrado com a presença de dezenas de apoiadores - o novo ministro da Saúde Marcelo Queiroga assumiu ontem (23.mar.2021) a pasta em uma cerimônia fechada e fora da agenda oficial. Segundo apurado pela jornalista Andréia Sadi, após a saída de Pazuello, Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores, é o próximo na mira da "reforma ampla" do Congresso.

Queiroga assume a Saúde em um momento crítico da pandemia, em que em 24 horas o Brasil registrou mais de três mil mortes. Não só a falta de consciência quanto aos cuidados pessoais da população, a lenta vacinação é um dos desafios do médico cardiologista.

Após a reunião na manhã desta 4ª feira, o Congresso não abandonou os discursos de tratamento precoce, defendido pelo presidente. Entre as essas medidas, queridas por Bolsonaro, constam remédios e métodos que já foram classificados como ineficazes.

Jair Bolsonaro anunciou, em parceria com o Congresso, a criação de um comitê que definirá medidas de combate à pandemia. Ainda, segundo o presidente, caberá ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), encaminhar ao comitê as demandas trazidas pelos governadores.

"Resolvemos, entre outras coisas, que será criada uma coordenação junto aos governadores, com o senhor presidente do Senado Federal. Da nossa parte, um comitê que se reunirá toda semana com autoridades para decidirmos ou redirecionarmos o rumo do combate ao coronavírus", disse ele brevemente.

Já Queiroga classificou a reunião como de "alto nível" e deu destaque para a harmonia entre os poderes. "A conclusão é o fortalecimento do Sistema Único de Saúde, articulado nos três níveis: União, Estados e Municípios, para prover à população brasileira, com agilidade, uma campanha de vacinação que possa atingir uma cobertura vacinal capaz de reduzir a circulação do vírus. Por outro lado, fortalecer a assistência, nos três níveis, com a criação de protocolos assistenciais capazes de mudar a história natural da doença", afirmou.

Marcelo Queiroga ainda apontou que o Sistema Único de Saúde dará as respostas que a população brasileira quer.

Crítica a Ernesto Araújo partiu de Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados, que cobrou do ministro das Relações Exteriores que o Itamaraty "precisa funcionar, deixar a ideologia de lado e negociar com todos os países" que possam aumentar o fornecimento de vacinas ao Brasil e também medicamentos para tratamento da Covid-19. Não somente Lira, como seus aliados e até mesmo o setor privado não se contentam com a atuação do chanceler brasileiro.

"A presença muito significativa de governadores e ministros, representante de todos os poderes e a união de todos para que consigamos comunicar melhor, despolitizar a pandemia, temos que desarmar os espíritos e tratar o problema como de todos nós. Um problema nacional, que nos compete enquanto representantes da população, enquanto Câmara dos Deputados, Senado Federal, Supremo Tribunal, Presidência da República, governos Estaduais e Municipais... falarmos uma linguagem só", apontou o presidente da Câmara.

Ernesto estressou ainda mais as relações com China - que fornecia insumos para a fabricação de vacinas em solo nacional - após o presidente Jair Bolsonaro e seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, tecer críticas ao país pela pandemia.

Em defesa da família Bolsonaro, Araújo foi a público e pediu retratação por parte do embaixador Chinês. "Inaceitável que o embaixador da China endosse ou compartilhe postagem ofensiva ao chefe de Estado do Brasil e aos seus eleitores, como infelizmente ocorreu ontem à noite", afirmou na época.

Bastidores revelam que Bolsonaro está preocupado com o próximo ano eleitoral, sem antes resolver 2021, postura fraca que, caso se estenda até 2022, fará com que Jair chegue inexpressivo na corrida presidencial.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e o da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), no começo da semana (22.mar.2021) ouviram a preocupação de empresários sobre a lentidão da campanha vacinal. Ambos ressaltam que o erro foi do governo federal.

Andréia Sadi, especialista política que cobre os bastidores da Capital Federal para o Jornal Hoje e GloboNews - além de apresentar os programas "Em Foco" (GloboNews) e "Papo de Política" (G1), aponta que nomes como os de Antonio Anastasia e Fernando Collor são citados para a vaga de ministro das Relações Exteriores.