01 de dezembro de 2020
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CRISE NA CAPITANIA

Mandetta detona e vê atitude temerária de um presidente que confunde o povo

Ministro afirma que incentivar aglomerações é atitude claramente equivocada de Jair Bolsonaro

“Quando você vê as pessoas entrando em padaria, em supermercado, grudadas, isso é claramente uma coisa equivocada. Eu espero uma fala única, uma fala unificada. Porque isso leva para o brasileiro uma dubiedade. Ele [o povo brasileiro] não sabe se escuta o ministro, ou o presidente, quem ele escuta”.

A afirmação é bombástica, porque foi feita pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, nesta noite de domingo (11), referindo-se ao comportamento recorrente do presidente Jair Bolsonaro, que teima em contrariar as recomendações da Organização Mundial da Saúde e do próprio ministro na prevenção ao Covid-19. Na entrevista, ao “Fantástico”, da Rede Globo, Mandetta reafirmou sua convicção nas orientações da Ciência e foi incisivo ao fazer o contraponto às atitudes do presidente.

Defensor do isolamento social amplo, e mesmo considerando que Bolsonaro tem o direito de preocupar-se com o colapso econômico, o ministro salientou repetidas vezes que não há outra opção a adotar agora a não ser a defesa da vida. Além de não curvar-se às manifestações do presidente, que cobra obediência e disciplina hierárquica dos seus ministros, Mandetta fez essas declarações ao grupo jornalísticos mais odiado por Jair Bolsonaro, a Rede Globo.

Esta receita acabou de consolidar o ambiente explosivo e de ruptura interna no staff governamental. Bolsonaro há dias dá sinais de estar incomodado com o protagonismo de Mandetta e vem insinuando o desejo de demiti-lo. Mandetta já o desafiou a fazer isso, mas não foi atendido. Porém, há quem afirme que esta semana será decisiva para a permanência do ministro, que está sendo “fritado” por escudeiros ministeriais do presidente, especialmente seus três filhos, o ministro Onix Lorenzonni, da Cidadania, e o deputado federal Osmar Terra.

Enquanto isso, a pandemia avança em todos os estados brasileiros, contagiando, matando, superlotando a rede hospitalar e produzindo milhões de infectados assintomáticos, que imaginam estar livres da doença e andam por aí contaminando a quem encontram.