24 de setembro de 2020
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DELAÇÃO

"Mesada" paga a prefeito e presidente do TCMT passou de R$ 8 milhões

Delação feita por ex-deputado entrega esquema que causou R$ 175 milhões em prejuízo aos cofres públicos no Mato Grosso

A delação do ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, José Riva, traz os nomes do prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB) e do presidente do Tribunal de Contas, Guilherme Antônio Maluf, juntos eles teriam recebidos em propina o valor estimado de R$ 8,14 milhões. 

De acordo com o delator, os valores foram repassados por meio de “mesadas” que Pinheiro e Maluf receberam, sendo que, Pinheiro recebeu R$ 3,2 milhões e Maluf R$ 5,12 milhões, conforme Riva. 

O ex-presidente da Assembleia ainda aponta no documento, ao menos outros 36 parlamentares e ex-deputados mato-grossenses que recebiam para “manutenção de governabilidade”, além de pagamentos pela compra de votos em eleições da Mesa Diretora da Casa. 

Essa delação aguarda homologação. E a ansiedade dos políticos mato-grossenses é de quem entrará nesse bolo de denunciados.  Estima-se, segundo o documento de deleção premiada que foram pagas mesadas a 38 deputados, em valores que totalizam R$ 175 milhões em prejuízo aos cofres públicos. 

Alguns nomes já surgem entre os apontados por Riva, os ex-deputados Emanuel Pinheiro e Guilherme Maluf, além de Campos Neto, conselheiro da Corte de Contas. O primeiro, já havia sido citado na delação do ex-governador Silval Barbosa, em 2017.

O Escritório Almino Afonso e Lisboa Advogados associados, que defende o ex-deputado José Geraldo Riva, se manifestou sobre o caso. “A delação premiada não é daqueles institutos jurídicos que se possa dar publicidade, em virtude de vedação legal, razão pela qual estamos impossibilitados de falar sobre o assunto, até que sobrevenha decisão que levante o sigilo imposto”, disse.

O Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) “informou que não irá se posicionar antes da homologação da proposta de delação”.

A Prefeitura de Cuiabá informou que Emanuel Pinheiro ainda não notificado sobre essa delação e que, quando for, seus advogados se pronunciarão.