30 de setembro de 2020
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DECISÃO

MS já sofre com saída de Evo Morales, russos cancelam compra de empresa de R$ 4,2 bilhões

Fracasso na venda para russos impede conclusão de mega fábrica da Petrobras em MS

Mesmo sabendo dos negócios importantes feito entre Brasil e Bolívia e da irmandade secular o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro defendeu a saída de Evo Morales do cargo de presidente da Bolívia. 

Por sua vez Mato Grosso do Sul já começa a sentir o peso da saída de Evo. A Rússia desistiu de comprar uma grande fábrica de fertilizantes em Três Lagoas, o investimento que estava encaminhado seria de R$ 9,2 bilhões ao estado, a fábrica está fechada. 

A obra da Petrobrás iniciada no governo da presidente Dilma Roussef (PT), para reduzir as dependências externas brasileiras por fertilizantes estava 83% terminada em 2011, ano que começou a ser construída pela Queiroz Engenharia, até que a empresa foi atingida pela Operação Lava Jato, que desvendou esquema bilionário de corrupção na petrolífera.

Após desmantelada a empresa, a Petrobrás desistiu da obra e resolveu lançar edital para vender o empreendimento em planta, da Unidade de Fertilizantes III (UFN3), pelo valor de R$ 4 bilhões. Mato Grosso do Sul disputou com outros dez estados e acabou sendo escolhido para receber a fábrica com capacidade para produzir 70 mil toneladas de amônia e 1,2 milhão de toneladas de ureia.

Certamente àquela altura MS comemorava, já que a fábrica deveria gerar 5 mil empregos na construção e 2 mil durante a operação nas formas diretas e indiretas.  O Produto Interno de Bruto (PIB) de Três Lagoas seria multiplicado por três, enquanto o estadual teria acréscimo de 3%.

Após colapso, vender a fábrica seria a única saída. Em maio do ano passado, a Petrobras anunciou a negociação com o grupo russo Acron. A previsão era do pagamento de US$ 1 bilhão (R$ 4,2 bilhões) pela aquisição da obra e mais R$ 5 bilhões na conclusão da obra. A expectativa era de que a fábrica iniciasse as atividades em 2024.

O presidente russo Vladimir Putin até assinou acordo com o então homônimo boliviano, Evo Morales, para o fornecimento de 2,3 milhões de metros cúbicos de gás boliviano. A estatal Yacimetos Petrolífera Fiscales Boliviana (YPFB) ficaria com 13% das ações da fábrica de fertilizantes.

A efetivação do negócio não só geraria mais empregos, como elevaria a receita do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de Mato Grosso do Sul com o gás boliviano. O governador Reinaldo Azambuja (PSDB) não escondia o otimismo com o negócio e o investimento dos russos.

Porém, tudo veio abaixo após anúncio da Petrobrás ontem (26), onde explicou que a compra da empresa pelo grupo russo foi cancelada. “A Petróleo Brasileiro S.A. – Petrobras informa que, em relação à venda de 100% de sua participação acionária na Araucária Nitrogenados S.A. (ANSA) e da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), foram encerradas as negociações em curso com a Acron Group, sem a efetivação do negócio”, informou.

No entanto, a diretoria da companhia mantém a política do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de vender os ativos. “Não obstante, a Petrobras informa que permanece seu posicionamentro (sic) o estratégico de sair integralmente dos negócios de fertilizantes, visando à otimização do portfólio e à melhora de alocação do capital da companhia”, ressaltou no comunicado de sete linhas.

O secretário municipal de Desenvolvimento de Três Lagoas, José Moraes, atribuiu à crise política na Bolívia o fracasso na negociação com os russos. “Voltamos à estaca zero”, afirmou, em entrevista ao Campo Grande News.

Governador de MS minimizou o comunicado feito ao mercado pela Petrobras, dizendo que o grupo russo pediu prazo até março do ano que vem, em razão da crise boliviana, segundo o Campo Grande News.  

Mato Grosso do Sul investiu pesado para atrair a indústria, fez a doação da área de 4,2 milhões de metros quadrados e isenções fiscais de R$ 2,2 bilhões.

*Fonte: Com O Jacaré.