01 de outubro de 2020
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DECLARAÇÃO

"Não posso viver de psicose", diz Bolsonaro sobre coronavírus

De acordo com presidente, a doença é preocupante, mas está "havendo uma histeria"

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta 2ª feira (16.mar.2020) em entrevista à Rádio Bandeirantes que “não pode viver em psicose” por causa do avanço do novo coronavírus (covid-19) no Brasil e no mundo. De acordo com ele, a doença é preocupante, mas está “havendo uma histeria”.

Bolsonaro voltou a dizer que não convocou as manifestações realizadas no domingo (15.mar) em diversas cidades do Brasil. Ele também falou que cumprimentou populares que participavam dos atos “para demonstrar que está com o povo”.

“Querer colocar a culpa de uma possível expansão do vírus na minha pessoa porque eu vim saudar alguns na frente aqui da presidência da República num movimento que não convoquei é querer se ver livre da responsabilidade que é de todos nós”, disse.

CUTUCADA EM RODRIGO MAIA

O presidente ainda mencionou a participação de algumas autoridades num evento em São Paulo em 9 de março para 1,3 mil pessoas. Bolsonaro citou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), como 1 dos participantes do evento e cobrou do entrevistador Datena que também questionasse Maia sobre o assunto.

Como o entrevistado seguinte foi Maia, Datena de fato o questionou sobre a presença no evento em São Paulo. O deputado respondeu que, naquele momento, a disseminação do coronavírus no Brasil não estava tão acentuada. Mencionou que, inclusive, o próprio vice-presidente Hamilton Mourão compareceu.

O presidente da Câmara acrescentou que o pedido para que manifestantes repensassem sua participação nos atos –feito pelo próprio Bolsonaro– foi feito só em momento posterior ao evento de São Paulo. E, até então, a postura do Ministério da Saúde era outra.

Maia também disse que, mesmo se fosse o caso, não seria adequado justificar eventuais erros de “hoje” por erros de “ontem”. Ele defendeu que as autoridades olhem para frente para buscar agendas que ajudem o país a superar a crise desencadeada pelo avanço do novo coronavírus.

ATRITO COM CONGRESSO

A troca de farpas entre o Executivo e o Legislativo já dura semanas. Além da disputa pelo Orçamento impositivo, há o apoio do governo aos atos que foram realizados neste domingo. Primeiro, o ministro Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) afirmou que o Congresso “chantageava” o Palácio do Planalto.

Depois, Bolsonaro enviou 1 vídeo que convocava a população para as ruas a partir de sua conta pessoal do WhatsApp. Inicialmente, ele negou que tinha feito o disparo pelo aplicativo de mensagens. Em seguida, admitiu ter feito o envio.

Por ocasião da viagem aos Estados Unidos, realizada entre os dias 7 e 10 deste mês, Bolsonaro sugeriu que a população deveria, sim, ir às ruas. Disse que o protesto era legítimo. Os atos tinham pautas como fechamento do Congresso Nacional e do STF (Supremo Tribunal Federal).

O presidente recuou na última 5ª feira. Durante transmissão ao vivo pelas redes sociais e por pronunciamento em rede nacional de rádio e TV, voltou a dizer que as manifestações eram legítimas, mas deviam ser “repensadas” por causa da emergência em saúde pública.