19 de junho de 2021
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No último ano, Nelsinho gastou mais de R$ 125 milhões apenas em cascalhamento

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O ex-prefeito de Campo Grande Nelson Trad (PMDB) pode ter sido responsável em 2011 e 2012, dois últimos anos de sua administração, por um aumento de mais de 60% do valor pago a empreiteiras pela operação de revestimento primário, que nada mais é que cascalhamento, ou seja, cobertura de vias sem asfalto com pedras e terra.

Nelsinho que hoje induz seu irmão, ex-deputado Fábio Trad, a abrir processo de investigação contra o atual prefeito Gilmar Olarte (PP) para verificar se há indícios de suposta "indústria da corrupção" como classificou o deputado, já foi alvo de investigação do MPE (Ministério Público Estadual) justamente por ter pago demais por buracos de menos.Segundo dados de relatórios da prefeitura de Campo Grande, até 2012 era gasto em média R$ 35 milhões com revestimento primário. Em 2011, o gasto subiu para R$ 80.025 milhões e em 2012 o valor saltou para R$ 125 milhões, valor considerado alto por especialistas e técnicos na área.

Já com "tapa-buraco", em 2010, Nelsinho gastou R$ 24.888 milhões, em 2011 foram R$ 39 milhões e em 2012, último ano de seu governo, o gasto total com tapa-buraco e cascalhamento foi de R$ 255 milhões. Se comparado com gestões seguintes, o gasto foi muito maior.

Em 2013, Alcides Bernal (PP), ex-prefeito de Capital gastou R$ apenas 125 milhões com mesmas operações. Olarte gastou até então 137 milhões, e muitas das obras atuais são nos mesmos locais onde Nelsinho havia feito sua mega operação "tapa-buraco". Semana, por exemplo, o MS Notícias esteve no bairro Los Angeles onde há uma rua que há mais dez anos é "cascalhada", mas nunca pavimentada.

Fábio ao pedir que Olarte seja investigado, esquece que, seu irmão, que tenta se viabilizar candidato a prefeito em 2016, foi o que mais gastou com operação e foi alvo de denúncias que chegaram ao MPE e ao TCE (Tribunal de Contas do Estado) sobre suposto esquema de fraudes nesse tipo de operação.

Entre os suspeitos de possível esquema de favorecimento de empreiteiras, está o ex-secretário de Nelsinho João Antonio de Marco. Já entre as empreiteiras investigadas está a Selco Engenharia cujo funcionário foi flagrado cobrindo buracos inexistentes e está também a JW Construções e Engenharia cujo dono é, segundo fontes, próximos a Nelsinho, mas isso Fábio não quer investigar.