20 de setembro de 2020
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Políticos enfrentam desafios com música e poesia

São comuns os episódios envolvendo figuras públicas de Mato Grosso do Sul em jornadas ecléticas que combinam protagonismo político e artístico. Não se sabe até que ponto a manifestação de talento artístico ajudou a resolver problemas políticos, mas a verdade é que tais personagens conseguem criar, no mínimo, um cenário específico e bem peculiar de atenção e nele, quando podem, encontrar inspiração ou algum apoio de assistentes empolgados dispostos a ajudar na solução de seus desafios. Prefeito Olarte canta com Zé Du Foi assim que o senador Waldemir Moka (PMDB-MS) amealhou admiradores em sua trajetória política, marcada com freqüência por reuniões, festivas ou não, em que sempre aparece alguém reclamando uma “canjinha” de seus dotes musicais. E ele, sem pestanejar na maioria das vezes, põe sua voz para derramar, de preferência, canções regionalistas: chamamé, polca paraguaia, boleros e sertanejo raiz. A moda ganhou reforço no Estado a partir das eleições municipais de 2012. Um expressivo grupo de eleitos para cargos executivos e legislativos tem seu nome inscrito no rol de seresteiros, declamadores, dançarinos e poetas. Dois prefeitos se destacam como intérpretes: Heitor Miranda (PT), de Porto Murtinho, e Gilmar Olarte (PP), de Campo Grande. Na fronteira com o Paraguai, Porto Murtinho é um lugar onde se respira o ar da latinidade e em cada rua ou cada esquina sempre haverá dançarinos, cantores, músicos e poetas. O prefeito Heitor Miranda fez sua campanha entremeando os discursos no palanque citando trechos de poesias e canções temáticas. Mas no dia-a-dia, quando em reuniões informais, libera-se para fazer seu gogó afinado viajar por clássicos do acervo fronteiriço e enveredando, com conhecimento, pelos caminhos da MPB, da seresta e dos boleros. Até à campanha de 2008 Heitor teve entre seus parceiros de cantoria o amigo Pepeta (Fernando Alves Corrêa), que em 1963 fundou em Aquidauana a banda “Os Brincalhões”, inspirada pelo movimento da Jovem Guarda. Pepeta morreu em agosto de 2009 e hoje é lembrado a cada vez que Heitor realiza uma performance musical, cantando em espanhol ou em guarani. Gilmar Olarte é outro que adora ser convidado para cantar e tocar. Músico e intérprete com formação, é levita (cantor religioso) e prefere o repertório gospel. Pastor e presidente da Assembléia de Deus Nova Aliança (Adna), o prefeito campograndense é sensível, porém, às obras não-religiosas que celebrem o amor, a paz e os bons costumes, como fez quando acompanhou Jads & Jadson com violão e voz na interpretação de “Chalana”, durante uma visita de cortesia à dupla, ou na manhã desta terça-feira, 1º, ao participar da reunião do Conselho Municipal de Turismo, na Fecomércio. Ao ser homenageado pelo músico Zé Du com a canção “Como Uma Onda”, de Lulu Santos, soltou a voz. Edson Moraes, especial para MS Notícias