21 de setembro de 2020
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Projeto de última hora esvazia procissão de Zauith

A decisão que deveria ser o grande achado político na trajetória de Murilo Zauith, prefeito de Dourados e presidente regional do PSB (Partido Socialista Brasileiro), pode estar configurando-se como seu maior equívoco na vida pública. Ao jogar no ar – e de última hora - para exame da opinião pública a intenção de candidatar-se ao governo estadual sem completar sequer a metade de seu mandato de prefeito, Zauith pôs o seu partido, o PSB, em uma enrascada, e colocou a si próprio no matadouro político dos dirigentes que lançam pela janela as chances de sucesso e afirmação que a vida e a sociedade oferecem.

O prefeito despreza as circunstâncias que favoreceram sua investidura no cargo, quando em 2012, em eleição extraordinária, recebeu o apoio quase geral das lideranças mais expressivas do Estado para suceder a desastrada gestão de Ari Artuzi, apeado do poder após ser denunciado pelo MPE (Ministério Público Estadual) por improbidade administrativa. O PT (Partido dos Trabalhadores) do senador Delcídio do Amaral – favorito à sucessão estadual – e o PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) do governador André Puccinelli apoiaram Zauith, cada um a seu modo favorecendo a composição tão eclética quanto numerosa de partidos e forças para carregar seu andor. Sua procissão, de tão numerosa, chegou ao requinte de dispensar novos integrantes, ávidos por espaços na máquina municipal.

Entretanto, nem no primeiro mandato – quando anunciou e não materializou investimentos de mais de R$ 140 milhões – e nem no segundo, Murilo conseguiu atender plenamente à expectativa mudancista e renovadora do eleitorado. Dourados ainda precisa de um choque de gestão que remeta ao esquecimento as diatribes de Artuzi e Zauith deve esta conta à população.

Agora, acreditando ter convencido Puccinelli ser o “tertius” que incentivará a pulverização de candidaturas para reduzir o folgado favoritismo de Delcídio, veste a indumentária de candidato ao Governo. Ignora que no mosaico de sobrevivência política do atual governador e de seus correligionários a aliança com o PT ainda constitui a melhor saída política e eleitoral para o PMDB sulmatogrossense e uma resposta oportuna aos desafios do Planalto. Na aliança nacional, petistas e peemedebistas não perdem de vista a necessidade de formarem uma bancada numerosa e consistente que garanta maioria à presidenta Dilma Roussef (PT), caso esta confirme sua liderança nas pesquisas e se reeleja.

O provável fracasso da candidatura do “tertius” e a interrupção abrupta de seu mandato na prefeitura provocarão profundo e doloroso trauma gerencial, de amargas e previsíveis consequências. O município ainda tateia administrativamente no campo das realizações estruturais prometidas faz dois anos, desde que Zauith assumiu. Faltam a ele elasticidade e densidade na articulação política interna e externa, embora seu “homem-forte” e pensador, o secretário de Governo José Jorge Filho, o Zito, cultive a certeza de que Zauith possui força e presença tão imperativas que não depende do suporte, por exemplo, das bancadas parlamentares e dos interlocutores de prestígio junto ao Planalto e às fontes de recursos.

Edson Moraes, especial para MS Notícias