25 de novembro de 2020
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CRISE

"Vai conseguir matar Bolsonaro", diz analista sobre Roberto Jeferson

Após a saída de Moro, Bolsonaro escolheu um amigo seu e de seus filhos para o Cargo na PF

Já está claro para muitos e já é do saber de autoridades que Sérgio Moro, ex-Ministro da Justiça e Segurança Pública saiu porque não impediu que a Polícia Federal chegasse à Carlos Bolsonaro, como chefe do esquema criminoso de fake news, impulsionadas pelo chamado, Gabinete do Ódio, de dentro do Palácio do Planalto. Ainda essa semana a PF deve começar a realizar buscas e apreensões, pois segundo investigadores do inquérito comandado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre Moraes, aberto em março de 2019, está próximo ser encerrada a fase de investigação.

Conforme o jornalista Leandro Colon, dentro da PF há convicção de que Maurício Valeixo foi demitido justamente para impedir que o elo entre o filho Zero Dois do presidente e a campanha contra STF e Congresso fosse desvendado.

Ontem, Jair Bolsonaro recebeu no Alvorada, Frederick Wassef, advogado do filho Zero Um no caso Queiroz.

Após a saída de Moro, Bolsonaro escolheu um amigo seu e de seus filhos para o Cargo na PF, no lugar de Valeixo, o atual diretor da Agência Brasileira de Inteligência, Abin. Ele é amigo pessoal de Carlos e uma foto dos dois, no réveillon em que celebravam a vitória para o Planalto do presidente, circulou nas redes. Questionado num comentário de Facebook sobre esta proximidade do novo diretor de seu filho investigado pela PF, Bolsonaro respondeu. “E daí? Antes de conhecer meus filhos eu conheci o Ramagem. Por isso deve ser vetado? Devo escolher alguém amigo de quem?”.

Nenhum, amigo de ninguém, seria a resposta à um presidente sensato. Não se importando com a autonomia dos poderes, Bolsonaro vai ainda mais longe e escolhe também um amigo da família ao cargo de Ministro da Justiça e Segurança Pública, no lugar de Moro entrará:  Jorge Oliveira, o atual chefe da Secretária-geral da Presidência. Ele é filho de um amigo de décadas de Bolsonaro, foi chefe de gabinete de seu filho Eduardo. 

Para o filósofo Marcos Nobre, professor da UNICAMP e presidente do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP), Bolsonaro está se refugiando em sua base mais radical de eleitores ao mesmo tempo em que tenta negociar com o Centrão no Parlamento para conseguir tempo. Mas acredita que é uma questão de tempo para que seja destituído do cargo. “Bolsonaro vai para a lona e sabe disso", explica em entrevista ao EL PAÍS. Ele opina que a popularidade de Bolsonaro se reduzirá a seu eleitorado mais radical, mas destaca que isso por si só não garante uma maioria social pelo afastamento. Para que isso aconteça, insiste que as principais forças democráticas repactuem as regras de convivência democrática. “Caso contrário, vamos continuar produzindo Bolsonaros. Não adianta só tirar o cara”.

O pesquisador considera que a aposta de Bolsonaro em Roberto Jeferson, que já foi condenado no mensalão, é decisiva para a queda do presidente, já que seu discurso de "bom moço" passa ao novo perfil de "mal político". "Quando Roberto Jefferson entra na parada, é o beijo da morte de qualquer presidente. Ele só não conseguiu matar Lula, mas conseguiu matar Fernando Collor e vai conseguir matar Bolsonaro. É nesse momento que os abutres chegam para pegar a carniça que houver pelo tempo que houver. E seis meses num cargo são seis meses", disse.