28 de outubro de 2020
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Vereadores repudiam prefeito por obrigar servidora com câncer a retornar para a sala de aula

Rosemary da Costa Rocha foi comunicada às 18h30 de ontem que deveria se apresentar na Semed (Secretaria Municipal de Educação) para que retorne ao seu lugar de origem, a sala de aula, após 30 anos coordenando um projeto de ginástica rítmica. A medida foi reprovada pelos vereadores de Campo Grande, pois a professora de educação física, que também é esposa do vereador João Rocha (PSDB), enfrenta um câncer no pulmão e nos ossos, faz quimioterapia e não tem condições de voltar à sala de aula e foi afastada de suas atividades justamente para poder realizar o tratamento contra a doença.

O telefonema de aviso feito em horário depois do expediente normal de trabalho e a ligação da profissional com um vereador que deixou a base aliada do prefeito Alcides Bernal (PP) recentemente levantou suspeitas de perseguição política. Segundo João Rocha, além de sua esposa, o seu irmão, Vitorino Rocha, que há 14 anos coordena o ‘ABB Comunidade’ atendendo pessoas carentes no bairro Jardim Futurista – região norte de Campo Grande - e possui uma cirurgia na cervical, e uma sobrinha que é técnica da seleção estadual de ginástica receberam a mesma solicitação.

João Rocha ressaltou que se dedicou a defender o mandato de Bernal em seu primeiro ano de mandato e foi isso que recebeu em troca. “O lombo tem que ser largo, a chicotada é grande. Isso é o que nós estamos vendo. E aquelas pessoas que não tem relacionamento com vereador e não tem espaço para reclamar? Algumas pessoas estão nos cargos de comando por várias gestões porque são competentes. Elas devem ser punidas por participarem de outras gestões pela competência? Só falta agora ter campo de concentração. A perseguição ainda não chegou ao meu filho que também é concursado, mas vai chegar”, desabafou.

Para a vereadora Carla Stephanini (PMDB), o prefeito agiu de forma impiedosa. “Por quem nós campo-grandenses estamos sendo governados? Falta virtude cívica ao prefeito. Ele foi eleito democraticamente, mas em nome dessa democracia não podemos ter nossos direitos tirados. Ele é seletivo quando diz que as pessoas estão em primeiro lugar”. O também peemedebista, Edil Albuquerque declarou que falta “sensibilidade” e “maturidade” a Bernal.

Presidente da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Saúde que investigou irregularidades em vários hospitais da Capital, o vereador Flávio César (PT do B) relembrou que já teve casos de câncer na família e pediu aos vereadores da base aliada, Alex do PT e Luiza Ribeiro (PPS), que trabalhem para sensibilizar o prefeito Alcides Bernal. “Essa administração tem sido cruel e perseguidora”, finalizou.

Líder da situação, Alex do PT informou que o prefeito desconhecia esta situação. Ao receber algumas vaias, o vereador enfatizou que apenas transmitia as informações que recebera. “Ele não sabia, palavras de Bernal”. Alex informou ainda que recebeu essa informação às 23h da noite de ontem e se reuniu com o Bernal na manhã de hoje, um pouco antes de a sessão começar, para comunicá-lo. Ele e a vereadora Luiza Ribeiro se comprometeram a resolver o problema.

Diana Christie