14 de agosto de 2020
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EDITORIAL DE HOJE

Vitória de Fernández na Argentina, revolução chilena e destino uruguaio

Peronismo volta ao poder numa Argentina polarizada

Na Argentina, Alberto Ángel Fernández é o novo presidente, com 48% dos votos, o ex-chefe de gabinete dos governos Néstor Kirchiner e depois da viúva, Cristina Kirchner, Ángel venceu em primeiro turno nas eleições deste domingo (27). 

Advogado criminalista de formação, Ángel venceu com os “48”, porque a legislação argentina estabelece que se um dos candidatos ultrapassa a barreira dos 45%, não há segundo turno.

Ele agora recebe a grande tarefa de liderar o país dos “Los Hermanos”, mas segue uma postura moderada, por entender que o país está dividido, já que seu adversário, Maurício Macri, teve 40% dos votos. 

Nesta manhã (28), o atual presidente, acenou para uma trégua, convidando Ángel para um café da manhã, para tratarem a transição. Em vídeo na rede social o vencedor comemorou com amigos: “Um brinde a Macri, que está morto”, cantam. Em seu discurso de vitória, quando já passava das 23h, amenizou o tom. “Como disse o presidente Macri, me reunirei com ele amanhã para começarmos a conversar, lembrando que até 10 de dezembro é ele o presidente.” Cristina Kirchner também retorna ao governo, agora como vice-presidente.

O país está assolado pela pressão das grandes potências. Em 2018 o Produto Interno Bruto (PIB), caiu em 2,5%, não há grandes margens para 2019. Segundo o G1, a inflação atingiu 53,5%; os juros 40%; aumentou o número de pessoas indigentes, de 6,7% subiu para 7,7%; além de em setembro o Congresso argentino ter colocado o país em estado de alerta alimentar, permitindo o acesso ao programa de valores para programas de assistência que mantem a população sem fome. 

REVOLUÇÃO CHILENA

Manifestantes exibem cartaz "Chile acorda" no quinto dia de protestos na capital Santiago.  Foto: Claudio Santana/Getty Images

Há-se um número de assinaturas necessárias para iniciar acusação constitucional contra o presidente chileno Sebastián Piñera e o ministro do Interior, Andrés Chadwick. Eles serão investigados por violações aos direitos humanos durante o período em que o país esteve sob Estado de Emergência, que se estendeu até o início da madruga de hoje, segunda (28).

Piñera tem margem suficiente tanto na Câmara quanto no Senado para evitar que o processo termine na cassação de seu mandato. Há acusações de agressões físicas, tortura e até de estupros por parte da polícia e dos militares. Na sexta-feira (25), 1,2 milhão de pessoas fizeram contra o governo o maior protesto da história do Chile. Nas redes sociais a solidariedade dos brasileiros mostra que ares de revolução podem inspirar o gigante latino. 

Também na sexta, o ponto alto da manifestação foi quando a multidão cantou El Baile de los que Sobran, clássico da banda de rock Los Prisioneros, lançado em 1986, últimos anos da ditadura Pinochet.

A música descreve o lamento de quem estudou mas não consegue emprego apesar disto. “É muito triste que ainda a cantemos”, afirmou seu compositor, Jorge González. “Esta canção foi composta nas mesmas condições de sexta. Sob toque de recolher e com balas disparadas.”

Veja a letra ou ouça a música.

O Uruguai também realizou eleições presidenciais neste domingo (27). O governista Daniel Marinez chegou em primeiro com sua Frente Amplia, de centro-esquerda, seguido de Luis Lacalle Pou, do Partido Nacional, os blancos, de centro-direita. Devem disputar segundo turno, no próximo dia 24 de novembro.

*Com Meio.