13 de agosto de 2020
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RETROCESSO

Weintraub ganha cargo, Bolsonaro blinda familiares e arrefece combate à corrupção

Enquanto vai botando panos quentes nos radicais por um lado, por outro o presidente Jair Bolsonaro vai trabalhando para dificultar a vida dos procuradores que miram combate à corrupção

O ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, foi eleito por Brasil, Colômbia, República Dominicana, Equador, Haiti, Panamá, Filipinas, Suriname e Trinidad e Tobago para ser diretor-executivo no conselho do Banco Mundial. Será um mandato curto, tampão, que começa com a posse, na semana que vem, e se encerra em 31 de outubro. Houve muita resistência de funcionários do banco, mas o indicado é escolha dos países acionistas. O placar da votação não foi revelado.  

Enquanto vai botando panos quentes nos radicais por um lado, por outro o presidente Jair Bolsonaro vai trabalhando para dificultar a vida dos procuradores que miram combate à corrupção, entre eles os que investigam seus filhos e ex-mulher. Em visita ao Piauí, aliás, Bolsonaro foi recebido por uma população entusiasmada que gritava ‘fim da Lava Jato’.   

O procurador-geral da República, Augusto Aras, estuda dividir a força-tarefa no Paraná em quatro, eliminando a liderança de Deltan Dallagnol. É, de acordo com Mônica Bergamo, uma forma de enfraquecer a operação. 

O governo federal, em conjunto com o Supremo Tribunal Federal, quer tirar do Ministério Público parte de seu poder de fazer acordos de leniência com empresas. Estes acordos estiveram entre as principais ferramentas dos procuradores em investigações de corrupção. A J&F, por exemplo, havia oferecido inicialmente R$ 700 milhões por corrupção confessa, mas, no final, aceitou pagar R$ 10,3 bilhões de ressarcimento. 

Como lembra Guilherme Amado, da revista Época, durante o recesso do Supremo, o presidente Dias Toffoli suspendeu buscas e duas investigações contra José Serra, atuou para pressionar um juiz de primeira instância que investiga Aécio Neves, dissolveu a a comissão na Assembleia do Rio que analisa o impeachment de Wilson Witzel e arquivou um inquérito que investiga o presidente do STJ, João Otávio Noronha. Não satisfeito, arquivou também três inquéritos contra ministros do STJ e do TCU abertos após delações do ex-governador fluminense Sergio Cabral. 

O ex-governador paulista Geraldo Alckmin se tornou réu, ontem, por corrupção, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica eleitoral (caixa dois), quando o juiz Marco Antonio Martin Vargas aceitou denúncia do Ministério Público Eleitoral. A ação é por conta de um suposto caixa paralelo de R$ 11,9 milhões pago pela Odebrecht durante as campanhas de 2010 e 14, quando o político concorreu ao governo estadual.   

Fonte: Meio.