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tera, 12 de novembro de 2019

MORADORES DE RUA

Antes de remoção, Secretaria ofereceu ajuda 38 vezes a moradores de rua

Segundo a Prefeitura de Campo Grande, todas as tentativas de ajuda foram recusadas

Por: Anahi Zurutuza e Marcos Maluf16/10/2019 às 08:24
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Dois barracos construídos em margem do Rio Anhanduí ainda estão no localDois barracos construídos em margem do Rio Anhanduí ainda estão no localFoto: (Foto: Marcos Maluf)

A SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social) fez 38 visitas a moradores de rua que viviam debaixo de pontilhão no cruzamento das avenidas Ernesto Geisel e Manoel da Costa Lima, onde a prefeitura pretende construir um muro para evitar que o local volte a ser acampamento. Segundo a secretaria, todas as tentativas de ajuda foram recusadas.

Por meio de nota, a administração municipal destacou ainda que só depois das várias ofertas de abrigo voluntário, houve a decisão de dar ultimato para que os moradores deixassem o local, segundo o Executivo municipal, por causa do “risco que correm no período de chuva, que começa nos próximos meses”.

A remoção tem o respaldo do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), segundo a prefeitura. “A 26ª Promotoria de Justiça do Meio Ambiente realizou vistoria e emitiu relatórios técnicos produzidos pelo Daex (Departamento de Apoio as Atividades de Execução). Após isso, um cronograma de intervenção, com as recomendações do MP, foi executado”.

Remoção – Na manhã desta segunda-feira (14), equipes da prefeitura chegaram cedo ao viaduto para fazer a limpeza das margens do Rio Anhanduí. A presença dos homens com enxadas e equipamentos para recolher o lixo espantou quem se abriga no local, a maior parte usuários de drogas.

A SAS estava por lá com um caminhão para recolher os pertences dos moradores e levar quem quisesse para o Centremi (Centro de Triagem e Encaminhamento do Migrante e População de Rua).

Duas famílias que construíram barracos a poucos metros da ponte resistiram e nesta terça-feira (15) levavam a rotina normalmente pelo local. Rogério da Silva conta que na semana passada recebeu o ultimato. “Deram um prazo de uma semana pra gente. A gente está inscrito na Emha (Agência Municipal de Habitação). Mas até sair vamos ficar onde? E o Natal da gente? Se a gente pudesse ficar aqui seria ótimo, está tudo arrumadinho. A gente não usa droga, a gente carpiu tudo, a gente arrumou”, protesta.

Ele, a mulher e a mãe estão há cerca de 1 ano e meio no local. Os três vieram de Natal (RN) para Campo Grande e sem emprego, construíram o barraco na beira do Rio Anhanduí. “Sem ter para onde ir, a gente se encostou pra cá”

Rogério diz estar sem emprego porque não tem documentos. “Na primeira enchente que teve levou roupa, levou tudo nosso”.

Na segunda, além da limpeza, trabalhadores começaram a abrir uma valeta para sustentar a base de um muro debaixo do viaduto. O objetivo, segundo o próprio secretário municipal de Infraestrutura, Rudi Fiorese, é evitar que a área volte a ser ocupada. Nesta terça, ainda não havia paredes no local.

 

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