25 de novembro de 2020
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CORONAVÍRUS

A universidade pública: ventilador pulmonar da USP já pode entrar na linha de produção

Coordenadores vão pedir nesta semana autorização à Anvisa para fabricação

Engenheiros da Universidade de São Paulo terminaram com sucesso o projeto de um ventilador pulmonar, aparelho essencial no tratamento de muitos doentes graves de Covid-19. Os testes com quatro pacientes foram realizados de sexta-feira (17) a domingo (19), no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

O equipamento foi desenvolvido por engenheiros da Escola Politécnica da USP. Segundo os coordenadores do projeto do ventilador Inspire, nesta semana será solicitada à Anvisa a autorização para produzir o aparelho. O equipamento pode entrar na linha de produção em cerca de dez dias. Existem empresas prontas para começar a fabricá-lo.

Em uma semana, podem ser produzidos 500 ventiladores. Dadas as expectativas realistas de conseguir importar alguns componentes, “elementos críticos”, seria possível produzir 5.000 equipamentos em um mês, para começar, diz Raul Lima, especializado em engenharia biomédica, um dos coordenadores do projeto, com Marcelo Zuffo, ambos professores da Poli.

O ventilador sustenta a respiração dos doentes críticos de Covid-19, com pulmões devastados pela doença. Sem o aparelho, um paciente crítico, em tratamento intensivo, perde a vida. A escassez do equipamento ficou notória quando houve grande aumento de casos da doença na Itália, por exemplo.

O governo federal do Brasil tem tido problemas para importar os aparelhos; a falta de componentes importados para ventiladores comerciais dificulta o aumento da produção nacional.

O equipamento criado e testado na USP é emergencial. Foi desenvolvido para suprir a falta de ventiladores comerciais na crise de saúde provocada pela epidemia. Nos testes com pacientes, seu desempenho (capacidade de trocar dióxido de carbono por oxigênio) foi comparado com sucesso ao de um ventilador comercial e de uso padrão nos hospitais.

Não houve problemas, “intercorrências”, com os pacientes, nos estudos conduzidos por José Otavio Auler Junior, com auxílio de Filomena Galas, professores da medicina da USP, e do fisioterapeuta Alcino Leme, no Incor (leia nota dos pesquisadores sobre o aparelho)

O Inspire também foi testado antes em animais, nos dias 13 e 14 de abril, estudo realizado pelas professoras Denise Fantoni e Aline Ambrósio, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, no laboratório coordenado pelos professores Auler e Denise Otsuki.

Veja a reportagem completa AQUI, na Folha de S. Paulo.