26 de setembro de 2020
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MERCADO DE TRABALHO

Brilho nos olhos e cara de pau podem valer mais que currículo, diz empresária

Só diploma já não serve para destacar-se no mercado como profissional diversificado

De acordo com pesquisa recente do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) o índice de recém-formados que não conseguem emprego passou de 8,2% em 2014 para 13,8% em 2018. O cenário brasileiro está longe do ideal. No entanto, mesmo com as estatísticas investidora diz garantir, diante da experiência de mercado que: sua hora vai chegar e alerta, - quando isso acontecer, você precisa estar preparado.

Se você é daquele que curte um cineminha, mas precisa de grana para manter os programas, ou àquele que curte uma Sky TV, mas anda ‘liso’, atente-se ao que diz Sheynna Hakim Rossignol, Diretora Geral no Brasil do aplicativo Chama, marketplace que conecta revendedores de botijões de gás a clientes lançada em dezembro de 2016.

Segundo a empresária, em conversa com jovens do Instituto Techmail, uma instituição sem fins lucrativos localizada em São Paulo focada na formação e capacitação de jovens aprendizes para o mercado securitário. A preocupação sobre as perspectivas de futuro era evidente em todos. Conforme Hakim, atualmente ingressar e se manter no mercado de trabalho é bem mais complexo devido às diversas transformações que ocorrem no mundo e influenciam a todos, que vão desde mudanças tecnológicas quanto políticas, sociais e até mesmo climáticas.  

Para Hakim, o conhecimento adquirido através da formação universitária já não garante a colocação de um profissional, pois, a cada dia, milhares de jovens são lançados no mercado com o diploma debaixo dos braços e enfrentam dificuldades em obter sua primeira oportunidade.

Ela obeservou que a globalização e a concorrência acirrada tornaram as empresas mais exigentes, por isso, para se inserir no mercado de trabalho é preciso não apenas ter diferenciais, mas também demonstrar "um brilho nos olhos e atitude". "É este o pacote que encantará tanto os responsáveis que selecionam os candidatos para trabalhar nas empresas quanto às pessoas que trabalharão a seu lado", detalhou.

"Sempre fiz questão de acolher àqueles jovens que se aproximam de mim ávidos por conhecimento, os encorajando a perguntarem o que quiserem, e também os incentivando a dominar um assunto fundamental dentro do ambiente corporativo - que, ironicamente, é bastante subestimado por muitos de nós: nós mesmos", apontou a diretora.  

A profissional apontou o autoconhecimento como uma ferramente execencial. "Abrange conhecimento, responsabilidade, aceitação, realização e, finalmente, a busca constante de qualquer ser humano durante toda a vida: a felicidade", explicou. 

"Claro, no contexto do local de trabalho, felicidade pode ser tão subjetiva quanto na vida: pode ser a sensação de ser reconhecido pelo gestor, de receber um generoso aumento compatível com sua produtividade, de vivenciar a conclusão de um projeto pelo qual se dedicou tanto a ponto de fazer diferença na vida de outras pessoas, ou ainda: simplesmente trabalhar com aquilo que se ama com motivação, eficiência e engajamento", disse.

"Nas empresas pelas quais passei conheci vários jovens de grande potencial no início de suas carreiras e pude perceber uma característica em comum compartilhada por todos: a cara de pau". Mas, segundo Hakim, isso não é é algo negativo dentro do contexto, muito pelo contrário. Para ela a 'cara de pau' recomendada significa entusiasmo, interesse, senso de urgência, e, especialmente, agarrar uma chance para perguntar tudo o que quer aprender seja onde for.

"E isso deve continuar ao longo de toda a carreira. O mercado de tecnologia, por exemplo, exige esse tipo de comportamento para acompanhar as constantes inovações", reforçou 

A diretora revelou ainda que em seu cargo no Chama encoraja a equipe a estar sempre de ouvido em pé, atenta ao que acontece em volta e a “se meter” na conversa alheia. Muitas iniciativas e projetos podem ser enriquecidos com uma outra visão e colaboração de áreas diferentes. "Além disso, a nossa cultura é de “erro e acerto”, o que permite que todos tragam ideias diferentes e se integrem a projetos que não são, necessariamente, os de sua área", finalizou.