24 de setembro de 2020
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Transporte Público

De fratura no pé a perda da perna: ações contra Guaicurus por acidente explodem na Justiça

O ônibus quebrar durante o percurso não é o único problema no transporte coletivo de Campo Grande. O risco de o passageiro sofrer acidente é maior hoje. O número de ações contra o Consórcio Guaicurus por acidentes explodiu na Justiça e vão desde simples fratura no pé como casos mais graves, como amputar uma das pernas ou passar a andar de cadeira de rodas.
Conforme o site do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, foram protocoladas 23 ações contra o consórcio neste ano, contra apenas três no ano passado. O pedido de indenização oscila entre R$ 10 mil e R$ 333 mil.
Jornais e sites passaram a noticiar com frequência veículos com pane ou quebrados no percurso e passageiros obrigados a concluir o percurso a pé. Só no mês de novembro, conforme o Midiamax, oito ônibus interromperam a viagem em decorrência de problemas mecânicos.
 
Além do descumprimento do contrato de concessão firmado há sete anos, o Consórcio Guaicurus ainda é alvo de outros inquéritos no Ministério Público Estadual. Delação premiada feita no Paraná aponta direcionamento na licitação para favorecer as quatro empresas controladas pela poderosa e influente família Constantino. De acordo com a denúncia, a concorrência teria sido simulada.
 
No entanto, apesar das denúncias e das queixas dos usuários, a Câmara Municipal resiste em criar a CPI do Transporte Coletivo. Dos 29 vereadores, só sete assinaram o requerimento: Vinícius Siqueira (DEM), André Salineiro e Dr. Lívio, do PSDB, Dr. Loester e Dr. Wilson Sami, do MDB, Enfermeira Cida Amaral (PROS) e Papy (SD).
 
Além dos transtornos diários, como superlotação, atraso nas linhas e ônibus velhos, o transporte coletivo vem causando acidentes com graves sequelas em alguns passageiros.
 
Uma adolescente de 17 anos, que trabalha como auxiliar administrativo, fraturou o pé ao descer do coletivo na Rua 13 de Maio no dia 28 de agosto deste ano. Ela foi obrigada a usar bota gessada por 60 dias e pede indenização de R$ 10 mil.
Os vereadores contra a CPI para investigar irregularidades no transporte coletivo
Ademir Santana (PDT) Fritz (PSD)
Ayrton Araújo (PT) Gilmar da Cruz (Republicanos)
Betinho (Republicanos) João César Matogrosso (PSDB)
Carlão (PSB) Júnior Longo (PSB)
Cazuza (PP) Odilon Oliveira Júnior (PDT)
Dharleng Campos (PP) Otávio Trad (PTB)
Chiquinho Telles (PSD) Pastor Jeremias Flores (Avante)
Delegado Wellington (PSDB) João Rocha (PSDB)
Dr. Antônio Cruz (PSDB) Valdir Gomes (PP)
Dr. Cury (sem partido) Veterinário Francisco (PSB)
Eduardo Romero (Rede) William Maksoud (PMN)
Outra passageira, acompanhante de idosos, bateu na catraca após o veículo sofrer uma freada brusca. Sem acompanhamento da concessionária de ônibus, ela foi ao posto de saúde e constatou a fratura de várias costelas.
 
Uma viúva foi arrastada pelo ônibus após a perna esquerda ficar presa na porta dentro do Terminal Júlio de Castilho no dia 16 de maio deste ano. Ela foi socorrida pelo Samu, sofreu várias lesões e cobra indenização de R$ 50 mil.
 
Uma diarista aposentada de 72 anos foi atropelada ao tentar subir no ônibus na Avenida Calógeras, no Centro, no dia 4 de setembro deste ano. Conforme a ação judicial, ela foi submetida a cirurgia por cinco horas, ficou internada no Centro de Tratamento Intensivo por vários dias e teve a perna esquerda amputada.
 
Atualmente, a mulher só vive na cama e passou a depender 24 horas de familiares e amigos para realizar todas as necessidades. Ela pede pensão de um salário mínimo, indenização por danos materiais de R$ 50 mil e danos morais de R$ 199,6 mil.
 
Sete vereadores apoiam criação de CPI
André Salineiro (PSDB)
Dr. Loester (MDB)
Dr. Lívio (PSDB)
Enfermeira Cida Amaral (PROS)
Dr. Wilson Sami (MDB)
Papy (SD)
Vinícius Siqueira (DEM)
Outra tragédia dentro do coletivo ocorreu com um entregador que voltava para casa. O motorista não viu e passou em alta velocidade sobre o quebra-molas. O passageiro foi jogado para o alto e desmaiou ao cair sentado. Ele foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros e encaminhado para a Santa Casa, onde ficou internado por quatro dias e a deixou de cadeira de rodas.
 
De acordo com a defesa, o entregador pede indenização de R$ 333 mil, sendo R$ 200 mil por danos morais, R$ 100 mil por danos estéticos e R$ 748 de danos materiais. Todas as ações tramitam nas Varas Cíveis de Campo Grande.
 
No ano passado, foram apenas três ações judiciais contra o consórcio em decorrência de acidentes de trânsito. Neste ano já são 23 ações, sem considerar os processos pedindo indenização.
 
O aumento no número de acidentes pode ser reflexo das condições de trabalho dos motoristas ou da precariedade da frota. No início do ano, o consórcio admitiu que não tinha condições de substituir os veículos velhos. Os novos veículos só começaram a chegar no fim do ano.