28 de setembro de 2020
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TRE julga hoje cassação de prefeito de Vicentina Helio Sato

Acontece hoje, às 17h, o julgamento do processo de que pode cassar o mandato do atual prefeito de Vicentina – distante 246 km de Campo Grande – Helio Sato (PMDB), por compra de votos nas eleições de 2012.

A ação de cassação por compra de votos foi ingressada, inicialmente junto à justiça eleitoral de Fátima do Sul, que em um primeiro momento não aceitou a denúncia, o que levou Cléber Dias da Silva a recorrer ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral), que acatou a denúncia e julgará hoje,pela segunda vez após sessão da última segunda-feira ter sido adiada, Helio por praticar crime de compra de votos em outubro de 2012.

“A campanha foi uma aberração, todas as armas que eles tinham ilícitas eles usaram”, afirma Claudio, que ressalta que, depois do escândalo da compra de votos, a população do município está apreensiva. “Se a justiça existir está tudo resolvido, os caminhos todos foram feitos”, destaca.

Caso seja cassado haverá outra eleição. Cláudio lembrou que 15 dias antes de serem realizadas as eleições, havia uma diferença entre Helio e Cléber de 15 % a mais para Cléber. No entanto, segundo Cláudio, no dia da eleição, Hélio obteve, apenas,  77 votos a mais, garantindo a vitória.

Segundo testemunhas que procuraram o MS Notícias, no final de 2013, o atual prefeito de Vicentina ofereceu R$ 2 mil a uma turma de formandos do 3° ano do ensino médio de uma escola estadual da cidade em troca dos votos.

A conversa ocorreu no final de setembro, poucos dias antes da eleição e cerca de três meses antes da formatura dos estudantes, que ocorreu em 14 de dezembro. Os estudantes gravaram todo o diálogo e, posteriormente, fizeram a denúncia junto ao MPE (Ministério Público Estadual). Conforme o áudio da gravação, o ex-prefeito Marquinhos foi quem intermediou a conversa e passou a maior parte do tempo negociando com estudantes a troca de favores.

“Nós precisamos não só do voto de vocês, mas vocês têm que pedir para sua família e para seus amigos votarem no Helio também”, dizia Marquinhos.  No final da conversa, o atual prefeito Helio Sato agradece o apoio dos estudantes e pergunta ao ex-prefeito Marquinhos sobre o acordo fechado com os estudantes.

Marquinhos em seguida diz: “Ah eles querem a festa”, e em reposta uma aluna chega a dizer que os estudantes querem R$ 2 mil ao invés de R$ 1 mil. “Daremos na semana que vem um cheque de R$ 1 mil que vai ficar com alguém responsável e depois das eleições daremos  mais mil, afinal o Helio precisa ganhar a eleição né”, dizia Marquinhos.

Ao perceber que os estudantes haviam se desanimado com o pagamento parcelado da ajuda para festa de formatura, Marquinhos entre em cena mais uma vez e diz: ”Vocês vão votar no Hélio mesmo? Podemos confiar em vocês? Então vamos dar R$ 1 mil esta semana e mais R$ 1 mil na semana que vem”, declarou.

Em seguida, os estudantes comemoraram e uma mulher, que ao que tudo indica seja uma professora, ainda comentou: “Agora eles estão espertos, quem não chora não mama”. Esse áudio foi apresentado como prova de acusação à juíza Carolina Farah que, acatou a denúncia e instaurou, no ano passado, processo judicial para investigar a suposta compra de votos, e o resultado final do processo, juntamente com as provas apresentados pela defesa mais os depoimentos das testemunhas, serão apresentados hoje ao colegiado de desembargadores do TRE-MS  com parecer do relator do processo, que é o juiz Heraldo Garcia Vitta.

Heloísa Lazarini