28 de novembro de 2020
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A PRIMEIRA

Cientista é primeira mulher a estar no espaço e no ponto mais fundo do oceano

Sullivan se tornou astronauta da Nasa em 1979 e fez história em 1984 como a primeira mulher americana a concluir uma viagem espacial. Agora ela chegou ao fundo da Fossa das Marianas

Uma ex-astronauta da Nasa se tornou a primeira pessoa a viajar ao espaço e depois ter alcançado o ponto mais profundo conhecido no oceano.

No domingo (8), Kathy Sullivan fez história com seu mergulho de 35.810 pés (ou quase 11 mil metros) no Challenger Deep, ponto mais profundo do Oceano na Fossa das Marianas, no Pacífico. O feito a torna a oitava pessoa e a primeira mulher a atingir essa profundidade, cerca de 11 km abaixo da superfície do Oceano Pacífico.

Sullivan passou cerca de uma hora e meia explorando uma vala em um submersível (pequeno veículo de exploração) especialmente construído para suportar a imensa pressão subaquática. O investidor e explorador Victor Vescovo, que antes se tornara a primeira pessoa a visitar os pontos mais profundos dos cinco oceanos, fez companhia a Sullivan na expedição.

Sullivan se tornou astronauta da Nasa em 1979 e fez história em 1984 como a primeira mulher americana a concluir uma viagem espacial. Ela ficou mais de 532 horas no espaço. Em 2004, entrou no Astronaut Hall of Fame (Hall da Fama dos Astronautas dos Estados Unidos).

Depois, ela se Juntou à Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), entidade que passou a chefiar. Em uma conversa por telefone com a BBC, enquanto ainda estava no mar, Sullivan descreveu o oceano e o espaço como as "duas maiores fronteiras físicas que permanecem depois do surgimento da humanidade".

Agora ela se tornou a primeira pessoa a percorrer essas duas fronteiras, sob condições muito diferentes uma da outra.

A Estação Espacial Internacional (ISS) é cercada pelo vácuo do espaço, enquanto o submarino opera sob uma pressão esmagadora de oito toneladas por polegada quadrada, cerca de mil vezes a pressão atmosférica padrão no nível do mar.

"Sou treinada tanto como cientista quanto como engenheira, de modo que a experiência de estar dentro de veículos especializados— o ônibus espacial nos meus dias de astronauta e o fator limitante nesta expedição — é infinitamente fascinante para mim", diz ela.

Antes de se tornar astronauta, Sullivan completou seus estudos de doutorado em geologia na Universidade de Dalhousie, no Canadá, e realizou uma variedade de expedições oceanográficas.

"Como oceanógrafa, ver em primeira mão o ponto mais fundo do oceano, local onde está acontecendo um processo geológico extraordinariamente poderoso, é diferente de ver imagens ou dados de outras pessoas fazendo isso", diz ela.

Ela espera que expedições como essa possam incentivar mais pessoas a continuar ultrapassando as fronteiras do nosso mundo conhecido. "Por décadas, eu me descrevi como astronauta, cientista e exploradora. Vou continuar a explorar", diz ela.

Fonte: G1