23 de junho de 2021
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Dilma precisa aprender que a economia não aceita melindres, ou ministros enfraquecidos

Joaquim Félix não deve ser um Mantega, economista competente, porém fraco, que obedeceu cegamente a presidente Dilma Rousseff (PT), ainda que em prejuízo do país.

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Planos econômicos costumam não conseguir seus objetivos mais em função da fraqueza política dos governantes do que equívocos das equipes de economistas que os desenvolvem. Foi assim, por exemplo, com o Plano Cruzado, do então ministro Dilson Funaro (1933-1989), sob a presidência de José Sarney, um presidente fraco e mal intencionado que, por não compreender o que é democracia, até porque nunca a conheceu, sempre foi um articulador de vantagens, desmantelou a tentativa de reordenamento da economia preferindo contemplar interesses de amigos.

Outros tantos planos foram tentados, alguns feitos por incompetentes, ministros e presidentes, que preferiam mais “jogar para a arquibancada” com firulas econômicas mirabolantes, e pouca efetividade.

A saga da guerra contra o caos da economia brasileira, que todos sabem, mas poucos compreendem, está ai disposta em tentativas e erros até 1994, a mais ampla medida econômica já realizada no país, que tinha por objetivo principal, não único, o controle da hiperinflação. O Plano Real reduziu em 85,58% a inflação logo em seu primeiro mês de operação, conforme série histórica do IPCA, disponível no site do IBGE. No mês de junho de 1994, a pressão sobre os preços foi de 47,43%. Com a nova moeda, a pesquisa seguinte apontou inflação de 6,84%. Até o início da circulação do Real, em 1º de julho de 1994, a inflação acumulada foi de 763,12% (no ano) e 5.153,50% (nos doze meses anteriores).

O grande responsável foi o presidente Itamar Franco, que chamou a si a responsabilidade de apoiar o plano sob responsabilidade do então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, que uniu um grupo heterogêneo de economistas para salvar a economia do país. A equipe era constituída por Persio Arida, André Lara Resende, Gustavo Franco, Pedro Malan, Edmar Bacha, Clóvis Carvalho e Winston Fritsch.

Durante o governo Fernando Henrique Cardoso, eleito na esteira do sucesso do plano Real, crises econômicas internacionais forçaram reordenamentos nem sempre bem-sucedidos. O mundo econômico enfrentou as crises do México (1995), Asiática (1997-1998), Russa (1998-1999), Argentina (2001), Atentado terrorista nos EUA (2001), falsificação de balanços da Enron/Arthur Andersen. Internamente, a fuga de hot-money pelo temor da eleição de Lula em 2002, que elevou o dólar a quase R$ 4,00.

Lula foi eleito e os temores afastados a partir do momento em que o governo petistas optou por manter a base econômica e desenvolver os embrionários projetos de desenvolvimento social que visavam tirar da miséria parte significativa da população. Lula manteve a estabilidade e aprimorou as bolsas sociais. Em macroeconomia nunca existe unanimidade, não existem projetos perfeitos, mas a economia brasileira se manteve estável e o país avançou neste aspecto.

Pouco afeito ao trabalho, Lula preferiu dar autonomia, nem sempre bem-sucedida, mas a economia conseguiu segurar até mesmo o descontrole de gastos e desvios ocorridos em seu governo complacente.

Escorado numa empatia pouco compreendida, num impecável trabalho de mídia e na força da militância fanática, elegeu o “poste” Dilma Rousseff, personalista e inconsequente. Centralizadora e portanto cega à realidade, barganhou ministérios desnecessários e nada competentes em troca de apoio político, comprando por valores superfaturados votos no Congresso Nacional. Fez mais, optou por uma equipe econômica de competência mediana e obediência cega. “Está errado, muda-se a matemática”, esse foi o lema.

Mantega obedeceu a presidente, esqueceu, entretanto, que a economia mundial não tem a espinha dobrável. A mimada jovem de classe média alta que, por arroubos da adolescência assumiu uma rebeldia sem causa, pagou pesada pena por isso até buscar guarida nas asas do astuto político Leonel Brizola e seu PDT e que, mais tarde, por sobrevivência política, tornou-se petista, descobriu o exíguo território das fronteiras de seu suposto reinado.

Mantega não errou, foi fraco. Até foi inventivo em alterar dados e impor por força de lei, alterações na economia interna, risíveis para boas práticas econômicas e motivo de escracho para o mundo. Num retrocesso mental e imaginário, talvez explicado pela psicologia, Dilma voltou a ser a adolescente mimada que gastava além da mesada paterna, no seu próprio benefício e privilégio dos amigos. Deu no que deu.

Até quando o atual ministro Joaquim Levy vai suportar as críticas e ordenamentos inconsequentes de Dilma Rousseff? Ele é claro quando diz em público o que todos dizem no acobertado: “Você [o governo] montou um sistema que é muito desigual entre as empresas. Você aplicou um negócio que era muito grosseiro". E mais: "O problema é que essa brincadeira nos custa R$ 25 bilhões por ano e vários estudos que têm sido feitos demonstram que ela não tem protegido emprego. Nem criado, nem sequer protegido".

Se o ministro não tem respaldo para impor uma economia de mercado coesa e séria, é difícil supor que terá forças para controlar a gastança inconsequente da mesada que a presidente recebe da mamãe Pátria?