26 de fevereiro de 2021
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CRISE

Em meio à demissões, MEC recebe críticas do Conselho Nacional Secretarios de Educação

Em meio às demissões e mudanças no alto escalão ocorridas no Ministério da Educação nas últimas semanas, secretários estaduais do setor educacional  emendam “coro” ao criticar a postura do MEC ante a falta de consenso para gestão de projetos da Educação.  “Eu tenho a impressão de que não existe um comando no MEC nem política de governo para a educação”, disse ontem a presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), Maria Cecilia Amendola da Motta. O Consed faz a ponte entre os Estados e o MEC e articula a continuidade de políticas que dependem de apoio financeiro e técnico.

De acordo com Cecilia Motta, o Ministério da Educação (MEC) comandado por Ricardo Vélez Rodríguez tem apresentado uma gestão apoiada em “radicalismos”. “O que nós tínhamos entendido é que teríamos um governo de consenso”, acrescentou, referindo-se às brigas recentes entre os diversos núcleos do MEC, formado por olavistas, militares e profissionais de perfil técnico. Os relatos foram publicados pelo

A presidente do Consed também criticou a falta de diálogo. “Falamos tanto em regime de colaboração da União, Estados e municípios, tanto nas questões financeiras e técnicas que precisam de apoio do MEC, e não tivemos retorno sobre nenhuma delas”, diz. E acrescentou “fizemos uma reunião com o Tozi [Luiz Antonio Tozi, secretário-executivo] e quando saímos do avião soubemos que ele tinha sido demitido. Tínhamos uma reunião marcada para quarta-feira com a Tania [Tania Leme de Almeida, secretária de educação básica], quando ela deveria apresentar um retorno sobre os nossos pedidos, e veio essa notícia de seu pedido de demissão”, dispara.

Em reunião do Conselho Nacional de Educação (CNE) nesta terça-feira (26), a agora ex-secretária Tania Leme de Almeida disse que o pedido de demissão do ministério é um preço a ser pago por uma educação de qualidade e para permitir o andamento dos projetos."A gente respira educação, a gente dorme educação, acorda educação, come educação. O quanto custa a gente poder permitir que os projetos tenham andamento? Se isso custa, de repente, eu estar no ministério, que isso possa realmente ser um preço que eu pago. E que a educação possa ser de qualidade no nosso país", disse.

Uma série de mudanças ocorreram nas últimas semanas, nos cargos do alto escalão do MEC. No dia 11, a Casa Civil publicou, em uma edição extra do "Diário Oficila da União", a exoneração de seis cargos, incluindo o chefe de gabinete do ministro, o secretário-executivo adjunto, três diretores e um assessor especial. Na mesma edição do DOU, três desses seis cargos receberam nomeações, inclusive o de secretário-executivo adjunto, para o qual Rubens Barreto da Silva foi nomeado.No dia seguinte, o ministro exonerou Luiz Antônio Tozi do cargo de secretário-executivo, considerado o "número 2" do MEC. Ele indicou, por meio de uma rede social, que seu substituto seria Barreto.

Já no dia 14, Vélez informou que o cargo de Secretária-Executiva seria ocupado por Iolene Lima, que é ligada a uma igreja batista do Interior de São Paulo e foi diretora de um colégio religioso paulista.Na época, Vélez não informou se Barreto ocuparia outro cargo na pasta.